O país mais à esquerda da Europa, o nosso

O país mais à esquerda da Europa, o nosso, onde começa a tornar-se preocupante o consumo de antidepressivos e antibióticos pelos que daqui não podem escapar, para poderem ser portugueses à solta, parece ter jornais que se preocupam em estabelecer a lista dos mendistas, menezistas, portistas e monteiristas, por causa dos cavaquistas, santanistas, barrosistas, freitistas e adrianistas, bem como de outras faunas e “troupes” da nossa fragmentária e feudal decadência. Se continuarmos a feudalizar-nos em contabilidades suicidas de quem trocou os princípios pelo neo-maquiavelismo dos pretensos homens e mulheres de sucesso; se continuarmos a não reparar como as modas do pimba, depressa, passam de moda, mesmo em tempo de saldos político-mediáticos, culturais ou morais, até poderemos assistir a novos programas televisivos com uma grande mesa dos comentadores teológicos sentados à volta do memorial do convento a comentar Maria Madalena, assim se demonstrando como o serviço público da RTP não sabe encontrar em Portugal suficientes universitários isentos de eclesiasticismo que sejam especialistas no simbólico e que possam cumprir a exigência de pluralismo que é imposta pelo conceito de serviço público. Isto, na terra de Fernando Pessoa, do Padre António Vieira e da Ordem de Cristo. A Santa Inquisição fez os seus efeitos.

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