Tartarugas, RGAs, presidentes e presidenciais, nesta aliança do sistema com o esquema

Hoje vou glosar o presidente Sampaio que, quanto mais se aproxima da “deadline” do respectivo mandato, mais incendiário se torna, em nostalgia discursiva de RGA para televisão mostrar, antes de aconselhar os estudantes de hoje a não serem como ele foi quando era cenourinha, ou quando anunciava a sua candidatura a Belém, na cidade universitária de Lisboa. Com efeito, também eu seria novamente acusado de radical e libertário se aqui dissesse, como ele, que o sistema universitário estava desregulado e sem racionalidade. Apenas acrescento que o sistema de ensino superior entrou numa espiral implosiva, porque vai rodopiando em torno de eixos endogâmicos que o levaram a uma autoclausura reprodutiva de fantasmas. Espero que desta feita não surjam os habituais ventríloquos inquisitoriais que, em voz baixa, fazem as habituais denunciações de ouvida e fotocópia deste blogue para levram aos grão-mestres que o controlam e não admitem os desobedientes que se recusam a participar nas procissões da engraxadoria salazarenta . Os donos do poder universitário transformaram-se em autarcas de quintarolas que se mostram incapazes de lancetamento dos nódulos de micro-autoritarismo neocorporativo que se mantêm como controladores de carreiras, subsídios, viagens e jantaradas, a quem os oportunistas pedem prefácios de palavras pseudo-reformistas, gastas pelo uso e prostituídas pelo abuso. A universidade caminha para a implosão por causa desta aliança do sistema com o esquema, sendo imune à necessária abertura para cima, às ideias, e para baixo, à sociedade. Porque o sistema assenta num esquema dito de gestão democrática, mas que não permite a eleição pelos pares e pelos que pensam de forma racional e justa, dado que se mistura o decretino hierarquista da ameaça com a clique da pequena classe política de um associativismo oligárquico que manobra os bastidores dos grandes eleitores e das assembleias ditas representativas, transformadas em meras subsecções da permanecente sociedade de Corte, pintada com “slogans” de RGA vanguardista. É por isso que há vivendas que se transformam em faculdades da noite para o dia, sem comunidades académicas vivas que as sustentem, dado que em vez de professores, alunos e funcionários em interacção, criámos uma casta de reformadores académicos encartados, avaliólogos e educacionólogos, só porque décadas antes deram umas aulas e, depois, se tornaram eméritos, reformados e aposentados em regime de quase psicopatia sentenciadora, com muitos compadres e comadres.

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