Dez 09

Aqui estou, do lado de baixo do Equador

Aqui estou, do lado de baixo do Equador, onde a estrela do Norte é o cruzeiro do Sul, neste Novo Mundo feito com homens de sempre que para cá vieram à procura de um lugar que lhes desse o paraíso. Um novo mundo feito dos sonhos por cumprir nessa velha Europa e que a maioria dos que vieram fizem ponto de não regresso, sem esses caixões de remessa de que são feitas as malhas que os impérios tecem. Porque o novo Portugal se chamou, durante séculos, terra do pau brasil, onde Pêro Vaz de Caminha vislumbrou o bom selvagem e de que muitos fizeram porto seguro. Este exílio procurado que, felizmente, se reproduziu em nova pátria, em novo caminho para uma super-nação futura. E entre quem sou e quem amo, somos. Na limpidez de um tempo enraizado, onde antes de o sermos já o éramos. Âncoras antigas com muitas memórias de naufrágios. Um afecto quase desejado pela razão. Onde as muitas feridas que nos marcaram têm assentado como aço sobre os destroços de um passado de quem também somos. Porque agora apetece sorver o sublime deste presente, onde o sentido íntimo do futuro até nos dispensa de falar do futuro. E é nesse terreno de fronteira que há-de continuar a florescer a serena esperança. Esse aqui e agora de um transcendente situado que, em nome do além, possa subverter a realidade, com mãos, palavras e confiança. A espera que tem porquê sempre foi um poder-ser que é.

Dez 09

Entre quem sou e quem amo, somos

Aqui estou, do lado de baixo do Equador, onde a estrela do Norte é o cruzeiro do Sul, neste Novo Mundo feito com homens de sempre que para cá vieram à procura de um lugar que lhes desse o paraíso. Um novo mundo feito dos sonhos por cumprir nessa velha Europa e que a maioria dos que vieram fizem ponto de não regresso, sem esses caixões de remessa de que são feitas as malhas que os impérios tecem. Porque o novo Portugal se chamou, durante séculos, terra do pau brasil, onde Pêro Vaz de Caminha vislumbrou o bom selvagem e de que muitos fizeram porto seguro. Este exílio procurado que, felizmente, se reproduziu em nova pátria, em novo caminho para uma super-nação futura.

 

E entre quem sou e quem amo, somos. Na limpidez de um tempo enraizado, onde antes de o sermos já o éramos. Âncoras antigas com muitas memórias de naufrágios. Um afecto quase desejado pela razão. Onde as muitas feridas que nos marcaram têm assentado como aço sobre os destroços de um passado de quem também somos. Porque agora apetece sorver o sublime deste presente, onde o sentido íntimo do futuro até nos dispensa de falar do futuro. E é nesse terreno de fronteira que há-de continuar a florescer a serena esperança. Esse aqui e agora de um transcendente situado que, em nome do além, possa subverter a realidade, com mãos, palavras e confiança. A espera que tem porquê sempre foi um poder-ser que é.