Dez 12

Avô de si mesmo

Todos nós somos uma espécie de avôs de nós mesmos no plano formativo. Todos temos quanto aos nossos subsolos filosóficos, cerca de meio século de atraso face à nossa data de nascimento, talvez o espaço temporal de germinação necessário para que uma ideia passe às vulgatas da comunicação e possa tornar-se em lugar comum no âmbito da troca comunicacional do pensamento. Não é por acaso que os meus dois livros de afectivo espaço matricial são o “Homem Revoltado” de Albert Camus e “A Cidadela” de Saint-Exupéry, lado a lado com os textos quase completos de Fernando Pessoa. Porque quase todos eles foram emitidos, mais ou menos, pela época em que nasci, sendo posteriormente instalados pela opinião comum que marcava os meus professores. Eu próprio, como professor, não passo dessa consequência da fecundação das circunstâncias de tempo e lugar do pós-guerra e dos pós-sovietismo por tais subsolos filosóficos. Não passo de mero epifenómeno desse humanismo pós-revolucionário e pós-totalitário, a que, em sentido amplo, posso chamar neo-individualismo radical-liberal, pouco dado ao relativismo. Nasci da revolta contra as consequências das duas grandes revoluções do século XX, o comunismo e o fascismo. Mas sem cair naquela estúpida bipolarização que reduzia um fascista ao anticomunismo e um comunista, ao antifascismo. Por isso, detesto os defensores da chamada utopia, confundindo-a com a revolução perdida, mas praticando a cedência à cúpula dos sistemas do sistema, só porque não aguentam manter a autenticidade do contrapoder, porque nunca tiveram a coragem de se assumirem como minoria. Foi por seguidismo face ao politicamente correcto do então pensamento dominante e face ao socialmente correcto do universo social burguês onde se moviam, e não por espírito de resitência que muitos se tornaram maoístas. E é esse conformismo de ontem que explica a razão pela qual se tornaram os gladiadores do situacionismo de hoje. Mantêm a linha justa de quase permanecente oportunismo, típico de todos os devorismos que procuram os sinais distintivos de liderança vanguardista, ou reaccionário. Preferem que mude alguma coisa nos hábitos do monge, para que a tal manjedoura que os alimenta em privilégios continue na mesma.

Dez 12

Pós-guerra, pós-sovietismo, pós-revolução, pós-totalitarismo e a permanência da manjedoura…

Todos nós somos uma espécie de avôs de nós mesmos no plano formativo. Todos temos quanto aos nossos subsolos filosóficos, cerca de meio século de atraso face à nossa data de nascimento, talvez o espaço temporal de germinação necessário para que uma ideia passe às vulgatas da comunicação e possa tornar-se em lugar comum no âmbito da troca comunicacional do pensamento.

 

Não é por acaso que os meus dois livros de afectivo espaço matricial são o “Homem Revoltado” de Albert Camus e “A Cidadela” de Saint-Exupéry, lado a lado com os textos quase completos de Fernando Pessoa. Porque quase todos eles foram emitidos, mais ou menos, pela época em que nasci, sendo posterior instalados pela opinião comum que marcava os meus professores.

 

 

 

Eu próprio, como professor, não passo dessa consequência da fecundação das circunstâncias de tempo e lugar do pós-guerra e dos pós-sovietismo por tais subsolos filosóficos. Não passo de mero epifenómeno desse humanismo pós-revolucionário e pós-totalitário, a que, em sentido amplo, posso chamar neo-individualismo radical-liberal, pouco dado ao relativismo.

 

Nasci da revolta contra as consequências das duas grandes revoluções do século XX, o comunismo e o fascismo. Mas sem cair naquela estúpida bipolarização que reduzia um fascista ao anticomunismo e um comunista, ao antifascismo.

 

 

 

Por isso, detesto os defensores da chamada utopia, confundindo-a com a revolução perdida, mas praticando a cedência à cúpula dos sistemas do sistema, só porque não aguentam manter a autenticidade do contrapoder, porque nunca tiveram a coragem de se assumirem como minoria.

 

Foi por seguidismo face ao politicamente correcto do então pensamento dominante e face ao socialmente correcto do universo social burguês onde se moviam, e não por espírito de resitência que muitos se tornaram maoístas.

 

 

 

E é esse conformismo de ontem que explica a razão pela qual se tornaram os gladiadores do situacionismo de hoje. Mantêm a linha justa de quase permanecente oportunismo, típico de todos os devorismos que procuram os sinais distintivos de liderança vanguardista, ou reaccionário. Preferem que mude alguma coisa nos hábitos do monge, para que a tal manjedoura que os alimenta em privilégios continue na mesma.