Dez 20

Ninguém como tu será transmitido depois do debate Soares/ Cavaco

A Comissão Nacional de Telenovelas Eleitorais acaba de emitir um comunicado que garante aos portugueses que a RTP e TVI chegaram a um acordo histórico. O final da fita mais famosa dos últimos meses será conhecido depois do debate presidencialeiro. Com efeito, Ninguém Como Tu revela, na forma mais pura, dinâmica e cativante, a procura pela felicidade e pelo amor que guia a vida. Enquadrada nas vinte e quatro horas diárias de correria frenética entre Almada e Lisboa, é um retrato fiel da permanente luta pela conquista dos sonhos que dão sentido à existência humana. Urbana e contemporânea, faz uma feliz caracterização da realidade, permitindo que todos se identifiquem com as situações que são apresentadas. Ninguém Como Tu é, mais que um conjunto de pequenas histórias, uma grande história de pessoas, de experiências e vivências, como a que todos vamos escrevendo no nosso dia-a-dia.

 

 

 

A candidatura de Conceição Costa, apoiada pelo filho Alexandre Costa, já se congratulou com o pluralismo demonstrado pelos donos das televisões, decidindo encerrar a greve da fome encetada pelos dois, depois de uma entrevista que será emitida pela RTP/Memória, onde todos poderemos congratular-nos com a emissão do manifesto “todos diferentes, todos à bruxa”.

 

 

 

Também o candidato António Paiva Calado, que todos julgavam falecido e assassinado, acabou de emitir um comunicado, depois de acordo feito com o ministro da justiça lusitano e o procurador-geral das Berlengas, onde estava detido por tráfico de coca, mas donde acabou por ser libertado depois da intercessão executada pelo candidato presidencial boliviano, Morales qualquer coisa. Deverá chegar ao Cais das Colunas logo a seguir ao encerramento do telejornal das oito, onde será recebido pela reconciliada esposa, Luiza Albuquerque.

Dez 20

Alguns culinários conselhos a Soares e Cavaco, para o “soufflé” de logo à noite. Receita caseira…

Derreta o candidato com conselhos dos assessores, polvilhe com algum socialismo democrático e deixe cozer sem ganhar cor de muito à esquerda ou muito à direita.

 

Regue com contributos em dinheiro fresco e mexa com uma vara de arames comunicacional, de modo a obter um preparado heterogéneo que não saiba a carne nem a peixe.

 

Deixe ferver um pouco com o calor dos debates e das visitas ao país profundo e muitas memórias da prévia saltada ao Brasil.

 

Retire do calor, tempere com republicanismo, laicismo e visitas ao cardeal, bem como com uma pitada de apoio político-militar.

 

Junte os caça-assinaturas partidários e os notáveis das comissões de honra, principalmente catedráticos grosseiramente picados, alguns artistas sem discos pedidos e meia dúzia de velhas glórias futebolíticas que só jogam nas almoçaradas.

 

Bata o preparado em castelo bem firme e junte-o a histórias de muitas glórias políticas passadas, uma porção de cada vez, e em movimentos envolventes sem bater em más recordações, tipo luta contra as portagens ou salários em atraso, tudo no distrito de Setúbal.

 

Deite o preparado numa forma de soufflé muito bem untada e leve-a cozer em televisão quente (pense em mais de 50%, nas sondagens à boca das urnas) durante cerca de dois meses, com 5 minutos diários por telejornal.

 

Tome posse imediatamente, antes que lhe suceda o que levou Tancredo Neves a libertar-se da lei da morte. Mas não tente comer o resultado. Cheira a esturro e a cadáver adiado que procria imbecilidades.

Dez 20

Da “cassette” animada ao “soufflé” sem palanque

Era uma vez um operário de Pirescouxe que tinha um ideal típico dos comunistas suburbanos e percorreu o “cursus honorum” do PCP à luz do dia, mantendo a cartilha, mas animando a célebre “cassette” segundo o ritmo do viver como pensa. Um dia, teve que enfrentar, num debate televisivo, um dos monumentos do nosso antifascismo histórico, líder da revolta estudantil dos anos sessenta, opositor consequente da guerra colonial, que foi de Angola para Argel, onde deu voz à resistência anti-salazarista, para, já depois de Abril, aderir ao PS e ser um dos símbolos do anti-totalitarismo e da liberdade.

 

 

 

Ontem, ao acabar o debate, reparei como Alegre que, nesta campanha, teve entradas de leão, declarou ter como objectivo obter mais de 5% dos votos, para poder pagar o empréstimo de campanha.