Importa submeter-nos para sobreviver, mas temos de lutar para continuarmos a viver

Este sol de inverno que, furando as vidraças, me vai alegrando, pela plenitude da luz e pelo conforto do calor, faz com que sinta, cá por dentro, o desejo de palavras de ternura, longe dos facciosismos e perto da esperança, esmagando as névoas do mal que me ameaça.

 

E assim vão chegando as ditas férias do Natal, coisa que dá aos professores que professam o direito a mais trabalho, porque, quando nos libertamos do “stress” dos horários e dos prazos, ganhamos espaço para nos lançarmos no cumprimento daqueles projectos que exigem alguns dias seguidos de mobilização, sem as interrupções do quotidiano burocrático que fazem perder tempos e tempos nos habituais desperdícios da frustração.

 

Hoje apetece sorver em plenitude as boas memórias que me dão alento e esquecer a inquietude que, por vezes, nos faz redemoinho, reparando que a felicidade acontece quando o nosso eu consegue dar e receber a força de viver, vencendo, de mãos dadas, as circunstâncias funestas que nos sitiam e, por vezes, nos desesperam.

 

Especialmente quando as unhas aduncas e felpudas da persiganga se lançam em espaços de rigorosa soberania pessoal e nos levam, quase automaticamente, a sofrer a dor da raiva defensiva.

 

 

 

Porque, mesmo quem, por entre o dramatismo da existência, detecta sinais de beleza no trágico e consegue destacar das névoas frias alguns sinais de redentora luminosidade, não consegue, muitas vezes, com a necessária serenidade, assumir a renúncia como um esforço de conversão interior.

 

E não nos alegra a resistência de, em certos momentos, não podermos calar e termos que elevar a nossa voz livre às cumeadas da revolta, declarando que rejeitamos a baixeza dos métodos da intriga e de todos os outros mecanismos da persiganga que pretendem destruir a solidariedade.

 

Há que olhar mais alto e crescer por dentro, não deixando que a fonte do mal e dos medos que permanecem possam golfar suas grras de vindicta sobre o azul da felicidade. E nem apetece a ilusória tentativa de testar as nossas energias pessoais, acreditando, com certeza, que as sementes da esperança que nos sustêm são capazes de derrubar os limos diabólicos que nos ameaçam.

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