Sobre a alegre cavaqueira…

Pediram-me, do semanário “O Independente”, que analisasse o primeiro confronto das presidenciais:

 

Pontos negativos comuns:

 

Não parecia um debate, mas uma dupla entrevista, uma espécie de jogo de amizade entre as velhas glórias do Águeda e do Boliqueime. Uma conversa morna, chata, comprida e muito repetitiva de “slogans” e anteriores propostas dos candidatos.

 

Nenhum deles denunciou o afastamento de candidatos fora do sistema aceitando as regras do jogo do critério jornalístico dos donos do poder comunicacional

 

Pontos negativos de Cavaco:

 

Abusou nas meias palavras e mostrou uma profunda tristeza, sem ter esboçado um único sorriso, apesar de ter dito algumas vezes que cometeu erros no passado

 

 

Cedência ao economês da linguagem e com o consequente hermetismo que, contudo não o impediu de entrar em contradição, ao alinhar na crítica ao europeísmo acrítico

 

 

Pontos negativos de Alegre:

 

Manifestou uma certa demagogia esquerdista em matéria de política internacional, sendo vago na questão da guerra do Iraque e na denúncia do fantasma neoliberal da construção europeia e da globalização

 

Não conseguiu denunciar os erros económicos e financeiros do discurso de Cavaco e da memória do respectivo governo

 

 

 

Pontos positivos comuns:

 

Os candidatos foram coerentes face aos respectivos manifestos, assumindo ideias sólidas, e conseguiram cumprir o que previamente ensaiaram para comunicarem ao povo, conseguindo o respeito e a elevação democráticas e proclamando a independência nacional face a certos exageros de certo europeísmo vindo de fora

 

 

Pontos positivos de Cavaco:

 

Recuperou a memória boa do desenvolvimentismo da respectiva era governativa, aquilo que qualificou como “o meu tempo”, mas conseguindo fugir ao exagero justificador

 

Fugiu das acusações de intervencionismo, anunciando-se como força de desbloqueio que chamará os partidos da oposição e apoiando os governos, dando o exemplo da decisão sobre a Ota, no caso de Sócrates

 

 

 

Pontos positivos de Alegre:

 

Lucidez na crítica, fluidez sem agressividade, mas com desenvoltura combativa e frases lapidares

 

Defesa de uma ideia de pensamento nacional como pensamento estratégico, em nome da tríade “pátria, liberdade e democracia”, contra o seguidismo acrítico face à chamada constituição europeia em que Cavaco se empenhou

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