O país em parangonas, chamando aos bois pelos nomes

Parangonam os jornais que 60% dos alunos universitários copiam nos exames e que os borlistas entopem os tribunais, apesar de haver quinze atropelamentos mortais por dia. Como dizem os italianos, “portoghese”. Por isso é que em plena campanha presidencial nos chegam os choques de espina, pondo eléctricos os que não querem que moura Portugal, apesar de não serem cristóvãos como o outro, nem desses colombos que nos podem roubar os segredos pela espionagem industrial. Que isto de cardeais vindos da fria foice e martelo, com passagem pelo punho cerrado, para acabarem no cifrão, há que recordar versos de Alegre contra os ex-ministros do reino por vontade estranha, sem falarmos em cunhados, tabus e pântanos, no “drôle” cá da terra.

 

E Alegre, dizendo que vai chamar os bois pelos nomes, apenas clamou contra os novos ricos e proclamou que não pode haver confusões entre os negócios e a política, denunciando plágios que os concorrentes lhe estão fazendo. Já Pinho reflecte sobre estas matérias do foro reservado que foi desvendar a Belém, declarando que em economia nunca há conflitos de interesses, nem competição, nem oferta e procura, nem mercados ou interesses nacionais.

 

 

 

Por seu lado, cavaco foi ao Alentejo vangloriar-se, que terá sido ele a decir do Alqueva e que até se lembra do ano e do mês em que quebrou o enguiço destas planas obras de Santa Engrácia que ainda não encheram. E lá nesse profundo do Portugal até se lembrou dos tempos em que ia de camião tomar café a Almodovar.

 

 

Finalmente, Soares que tem a idade que tinha Salazar quando foi definitivamente para Santa Comba, prefere dizer que se entende melhor com os netos do que com a respectiva geração, que só tem inveja. Se deseja que ainda um dia tenhamos uma presidenta, não repara que no século XIX já tivemos duas rainhas. Deve ser das tias que rodeiam os candidatos.

 

 

 

Consta que Dom Sebastião foi batalhar a Marrocos para que tivéssemos segurança no abastecimento de gás natural, porque os pinas que também são mouras já não se chamam cristóvãos e a Rússia nada tem a ver com o gasoduto, dado que ainda não chegámos à Ucrânia e a nossa energia está em boas e castras mãos, nem que tenhamos de chamar o Mexia. Felizmente que o nosso gás é islâmico e não ortodoxo, ao contrário do que acontece com outras forças energéticas, que já não há bulhosas, sonapes, cazais ribeiros e gazcidlas.

 

 

E o velho do restelo até berardiou pró mega, que não há boys na manga, nem fraústos em estoque, que quanto mais fundações houvera mais gentes se exonerara, nesse regresso dos gloriosos administradores por parte do estadão, que sempre marcaram o devorismo da nossa cultura e economia místicas.

 

Sempre houve uma direita económica, também dita direita dos interesses, que começa por usar, como gladiadores de serviço, gente anti-capitalista, ex-comunistas de preferência ou socialistas q.b. Mas quando não precisam desses privatizados, deles, logo os despacham para o caixote dialéctico da história. Por isso é que Soares se queixa dos donos da comunicação social, esses ingratos que agora querem eleger o outro. Mas Cavaco resiste e diz que não é subsidiado por partidos. É que só povo que contribui para a campanha, com Freitas a entrar em transe, com aquilo a que Louçã chamou mentira de um de abril.

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