Entre o neofeudalismo e a anarquia ordenada, nesta centralização dita desconcentradora e regionalizadora

Parece que o tal Estado a que chegámos, dito moderno e burocrático, sabendo que é centralista e concentracionário em demasia, pretende ir para a Meia Maratona do fingimento fingir que a dita é maior do que a Légua da Póvoa. Vai daí, descobriu que só é novo aquilo que se esqueceu e tratou de repescar uma ideia que o ministro da presidência do salazarismo, um tal Marcello Caetano  , lançou nos anos cinquenta do século XX, o “slogan” da reforma administrativa, que tem servido de discurso de justificação para a criação de uma gigantesca burocracia anti-burocrática e de uma centralista tecnocracia dita desconcentradora, numa linha de cumplicidade entre o PSD e PS que vão chamando à coisa Modernização Administrativa e Reforma do Estado, umas vezes com Secretariados, à maneira do defunto “Secretariado técnico da presidência do conselho de ministros”, o pai dos planeamentistas, outras, com Ministros como o foi o Alberto Martins. Por mim, prefiro notar que a gigantesca burocracia mental dita desburocratizadora, perdida em manuais de desenvolvimentismo keynesiano ou pós-marxista, parece equivaler à centralização dita regionalizadora, numa dessas habituais usurpações conceituais daqueles discursos justificadores do poder nominativo, onde o verbo substitui o acto. Tudo se parece aliás com o jacobinismo centralista da comissão apátrida, sita em Bruxelas, que prostituiu o belo conceito de federalismo, nesse propositado nominalismo confusionista, onde os detentores do poder continuam a passear impunemente o próprio monopólio da palavra, assente nos quilos de papel produzidos pelos chamados técnicos. E a tal coisa a que chamam reforma usurpa a própria inteligência, quando, manipulando o subsídio distribuído entre os favoritos das sucessivas cortes, se acaba por estrangular o próprio pensamento livre que, devendo estar nas universidades, acaba por ser esmagado pelo decretino estadual da avaliação, nesses meandros de um “Big Brother” que sempre foi inimigo dos homens livres, nomeadamente pela estadualização do próprio mecenato. O corporativismo semeado estadualmente por Salazar , através da tímida criação de duas ordens profissionais, ameaça transformar o neofeudalismo em regra de um salve-se quem puder, num país onde há cada vez mais pés e cada vez menos botas.

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