O antigo já foi moderno, de que o moderno há-de ser antigo

Esqueci-me de anotar algumas efemérides, constantes da minha agenda. Entre as de hoje, para além do começo das conferências do Casino, em 1871, importa assinalar a criação da moeda nacional republicana, o defunto escudo, em 1911. Porque se ontem, dia 21, tivesse escrito, teria de assinalar, para além da inauguração da Expo 98, o nascimento de Platão (427 a. C.) e a emissão, pelo salazarismo, da lei sobre a extinção da maçonaria (1935). E anteontem, dia 20, a morte de Cristóvão Colombo (1506) e a chegada de Vasco da Gama a Calecute (1498), para além da fundação da Casa Pia (1780), do nascimento de John Stuart Mill (1806) e da tomada de posse de Spínola como governador da Guiné (1968).

 

Porque o tempo é este cruzamento de memórias explosivas, de sementes que se propagam em ideias, crenças, valores, medos e ódios, onde só é moda aquilo que passa de moda, onde só é novo aquilo que se esqueceu, porque só há o verdadeiro fora do tempo, porque, como costumo citar de Vieira, o antigo já foi moderno, de que o moderno há-de ser antigo

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