Em resistência e silêncio, para que não entre mosca nem saia asneira

Hoje, já vai longa a noite e continuo sem apetecer bloguear. Este intervalo entre os exames e as férias, com muitos júris, ganhou, recentemente, na vida universitária, novos cambiantes de cinzento, não tanto por causa da bolonhesa, quanto pela circunstância de certas mentalidades geométricas, filhas da sucessão dos rolos compressores da unidimensionalidade cartesiana, positivista e marxista, continuarem a usurpar o espaço do pluralismo tradicional das autonomias. Em nome do chamado Estado Moderno e das suas reformas da administração pública, aquilo que era a mentalidade pombalista do defunto ministério educativo, ao usurpar o conceito de reforma e a ideia de Europa, continua a sua acção de liquidação de um conceito de universidade.

Hoje, dia 26, não apetece, pois, recordar a Belfastada de 1826 ou a proibição das conferências do Casino de 1871. Tal como ontem não apeteceu recordar como Mondlane fundou a FRELIMO, em 1962, e como começou a guerra da Coreia, em 1950. E não foi por causa do jogo da selecção nacional dos profissionais portugueses de futebol contra os seus congéneres dos Países Baixos, a que muito napoleonicamente continuamos a dar o restrito nome de um deles, a Holanda que me calei. Porque também sofri e também vibrei. Apesar de ter seguido atentamente os sinais que as agências informativas nos transmitiram sobre Timor, onde, apesar do calor, apenas continuamos a ver a parte visível do “iceberg”, onde muito do que parece e aparece não é o essencial daquilo que efectivamente é.

Talvez amanhã recupere o ânimo, para contar mais reflectidamente algumas das minhas experiências dos últimos dias, neste começo de um Verão, onde continuarei a ler muitos anúncios de renovação da pátria em semanários de grande circulação. Registo apenas que o nosso Primeiro-Ministro foi a Ferreira do Alentejo anunciar que Portugal inteiro ficou em regime de banda larga, nesse choque tecnológico que nos transforma numa longa auto-estrada da informação. Será que a auto-estrada é para outros entrarem? É que no acesso à globalização continuamos todos a circular por caminhos de cabras, porque, sem sustentatiblidade, podemos ter canas de pesca, mas não sabemos pescar.

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