Jul 13

Entre pulgas e encontros imediatos de primeiro grau com a bolonhesa

Sinto que dia a dia que vai passando, mais apetecem dias em que o tempo se não meça em agendas desse ter que fazer que nos passa e ultrapassa. Isto é, preciso urgentemente de férias. Que hoje, lá terei mais um dias de provas na reitoria da Universidade dita Clássica de Lisboa, depois do que aí passei na passada semana e sobre que ainda não reflecti. Com efeito, deixei então, num dos cacifos da instituição reservados para o efeito, a minha beca, dado que as provas decorriam por dois dias seguidos. Vestindo-a, sem notar no segundo dia, foi-me dado notar, na noite imediata, que todo o meu corpo tinha sido alvo de violentas picadelas de um minúsculo e indiscreto bicharoco, a que damos o nome de pulga. Saúdo, portanto, a medida reitoral desta semana, que mandou fechar para desinfestação toda essa ala do edifício e pondero pedir uma indemnização à instituição, não por danos morais, mas antes pelas bisnagas de anti-cócegas que fui obrigado a usar.

 

Idêntica alergia ameaça a minha relação com reuniões obrigatórias académicas com o cumprimento das regras do espírito da bolonhesa, onde quase todos discursam muito gnosticamente sobre as respectivos encontros imediatos de primeiro grau com tal transcendente, quando, escondida no discurso, apenas emerge a tradicional vontade de poder ou de salve-se quem puder, onde não há moralidade e só alguns poderão comer. E por isso lá caminho para o terceiro dia de reuniões consecutivas de um conselho, enquanto me telefonam este e aquele, alertando para o cumprimento do prazo imposto pelos gestores dos dinheiros para a ciência e para a formidável burocracia, dita antiburocrática, que acompanha as jogadas do saca-fundos e do saca-bolsa. Quero mesmo o pequeno exílio das férias. Estou farto deste mais do mesmo e sem pachorra para discursos ministeriais, reitorais e directoriais. Os raios ultravioleta continuarão altos e as pulgas ameaçam saltar…