Memórias do poder marítimo e uma breve incursão manuelina e azul e branca

Hoje há algumas memórias que apetece cumprir. Primeiro, as do poder marítimo. Porque nesta data, no ano de 1897, a esquadra espanhola foi aniquilada pela norte-americana, em Santiago de Cuba. Porque no ano de 1833, começou a batalha do Cabo de São Vicente com derrota da esquadra miguelista. Porque no ano de 1821, regressou a Lisboa o aparelho central do Estado que tinha estacionado no Rio de Janeiro. Porque estes três factos são nucleares de mudanças. A independência do Brasil, o fim do regime miguelista e o fim dos restos do Império Espanhol, nas Américas e nas Filipinas. Também na data de hoje o regime republicano recriava o ministério da instrução pública (1913).

 

Outras memórias deixei escapar. Anteontem , importava referir a abolição da pena de morte e a emissão do Código Civil do Visconde de Seabra (1867), bem como o primeiro governo progressista de Anselmo Braamcamp (1879) e o aparecimento do Diário Liberal de Hernâni Cidade (1932). E ontem a morte de D. Manuel II no exílio britânico (1932). Porque neste ano de 1932 se lavou com a lexívia salazarenta a nossa memória liberal, incluindo o enterro que o cônsul tratou de fazer à monarquia azul e branca. Passámos a ficar dependentes de um constipação mal-tratada, como há-de dizer Luís Almeida Braga. Ainda continuamos dependentes de muitas personalizações do poder, de muitos pequenos césares dos múltiplos micro-autoritarismos que por aí pululam, como subsistemas de medo, porque continuamos sem espremer, gota a gota, o escravo do autoritarismo que mantemos dentro de cada um de nós, nomeadamente o delator pidesco e o anónimo lançador de boatos, aliado à falta de coragem dos que não gostam de assinar o que mandam fazer aos escribas, segundo a técnica do divide et impera.

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