O processo de revolução vinda de cima que continua em curso

Em democracia o povo não existe, dado que os mecanismos de representação exigem vários tipos de povo, conforme as canalizações visualizadas. O povo eleitoral difere do povo das sondagens, tal como o povo das manifestações não coincide com o povo das elites. Porque o povo não passa de uma abstracção que nunca em nenhum tempo e em nenhum lado conseguiu conquistar o poder. Logo, assinalei que o presente modelo de teatrocracia manifestativa é o tal normal anomal de uma democracia entendida como institucionalização de conflitos, com o conseuqnete sistema de ritos e mitos. Porque o povo português que já anda há trinta anos em democracia representativa sabe que todo este processo é uma espécie de jogo, com muitas manobras e muitos heterónimos. E ainda bem. Significa que somos pluralistas e todos até preferem ver professores em desfile encenado do que o ar façanhudo dos que clamavam pela ditadura do proletariado. E disso algumas coisas mais que aqui não repito. Insisti apenas que a governação vigente tudo mede e consegue controlar em termos de “agenda setting”. Aliás, não é por acaso, que em tempos de “manifs” da “rentrée”, a mesma questão, posta exactamente com os mesmos termos, tenha sido apresentada para debate em três ou quatro dos nossos principais órgãos de comunicação social. Isto é, continua a ditadura dos perguntadores e os pobres mortais, do poder dos sem poder, apenas podem dar resposta à pergunta que lhes é feita pelos controladores da “révolution d’en haut”.

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