As redes de instalados que ocuparam a cidade

As redes de instalados que ocuparam a cidade mantêm o quase monopólio da palavra que nos controla e resta-nos desobedecer por dentro, não cumprindo aquilo que os controleiros pensam que é o nosso destino. Democracia é aquele regime que permite golpes de Estado sem efusão de sangue, através da urna. Basta que na respectiva ranhura se introduza o adequado gesto do Zé Povinho, para que o voto volte a ser a arma do povo, derrubando os fundamentos da desordem instalada. O estado a que chegámos é uma desordem bem organizada. E os neofeudalismos da anarquia ordenada duram tempo demais, quando os injustiçados vão ao terreno do adversário e usam as armas que lhes são convenientes. Só através da guerrilha espiritual se pode indisciplinar a desordem que nos enjoa. Continuo a ser do contra o que está… Uma democracia não são votos. A ditadura que acabou em 1974 começou com votos em 1928, quando Carmona foi plebiscitado com muito mais sufrágios do que aqueles que receberam todos os partidos juntos nas eleições parlamentares de 1925. Em democracia pluralista, depois do voto em urna, há o voto permanente da cidadania e da participação. A nossa democracia está a perder o viço pelo indiferentismo e pela corrupção. Tem que ser reinventada e refundada. Basta contabilizar, somando os que estão a favor e os que estão contra. Todos juntos são bem menos do que os indiferentes. E todos sabem que quem manda efectivamente não são os candidatos nem os eleitos, mas os autores dos guiões que se escondem do palco. Chegámos a novo tempo de Interregno. E, como diria o Mestre, “é a hora”. Que, “quanto mais ao povo a alma falta, mais minha alma atlântica se exalta”. Na véspera da tragédia do 28 de Maio de 1926, um editorialista anónimo de jornal, que não era inimigo da democracia, definia o situacionismo apodrecido da 1ª República como uma ditadura da incompetência, dominada por bonzos e com muitos bailados de falsas alternativas, entre endireitas e canhotos. Subscrevo e repito.

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