Também por cá há ilhas de homens livres que procuram uma universidade livre do reformismo tecnocrático

Estava perdido em descobrir meu mar interior, olhando, a partir da ilha do Faial, neste cruzar do Canal, as ilhas de S. Jorge e do Pico, quando ouvi a Drª Manuela, do alto da sua memória ministerial, em oficioso relatório, a que chamam discurso. Confesso que apeteceu esquecer e continuar a escrevinhar sobre a Europa, sem ritmo eurobeato, mesmo quando vou correndo o risco de passar para a outra margem, junto daqueles que já alinham, em revolta activa, contra os meandros desta espiral de decadência que nos vai afogando em descrença. Apenas confirmo que, também por cá, mesmo com autonomia, se vivem as delícias daquele estadão fragmentador que desertificou a sociedade civil e nos transformou numa sucessão de quintas de animais falantes, onde há sempre alguns que são mais iguais do que outros, isto é, os apoiantes dos grandes e pequenos chefes da mesa do orçamento. Mas há também alguns outros que resistem e vão continuando a avivar as sementes daqueles passeios peripatéticos que continuam na senda dos que formaram gente como António José de Ávila, Antero de Quental, Teófilo Braga, Manuel de Arriaga. Eram universidade antes de haver a universidade do Professor Enes, sempre nas portas do ser, desde o tempo dos conventos aos cidadãos que nos liberalizaram a partir da semente deixada por S.M.I. o Duque de Bragança que aqui preparou o desembarque em Pampelido. Esperemos que as universidades a que chegámos, e que agora vivem no caldeirão borbulhante das assembleias estatutárias, fabricantes de quintais burocráticos, permitam a permanência de algumas dessas ilhas de meritocracia, para que o arquipélago federativo desses homens livres, num qualquer dia radioso, sem nevoeiro de reformistas tecnocráticos, a possam regenerar, em nome das permenecentes ideias de pátria e de “universitas scientiarum”.

Os micro-autoritários e os ajudantes do papão, podem ir de vitória em vitória até ao esquecimento final, pensando que a essência do poder é procurar manter-se. Apenas perdem as instituições que eles transformaram em bonecas que escarfuncham para procurarem, por entre a palha, uma simples agulha que pensam ser a chave da arca do segredo, quando o segredo é apenas não haver segredo. Insisto: terramotos destes apenas levam ao vazio da ideia de obra, à destruição das manifestações de comunhão entre os formais detentores da cidadania e à flagrante violação do mínimo das regras que permitem a continuidade das coisas seculares. Porque deixa de haver direito quando as regras apenas são o que o príncipe diz e quando este não está sujeito às próprias regras que pode fazer, favorecendo os amigalhaços e punindo os dissidentes. E iguais em indignidade são os Pilatos que pensam poder lavar as mãos, libertando Barrabás e pensando que serão ministros na próxima legislatura. Voltemos ao mar, esse “hiper-cluster”, o dia está azul demais para vermes…

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