Dez 03

Recordando os gloriosos tempos dos tribunais plenários e daqueles ilustres servidores magistrais do marquês, das alçadas antipedristas e da lei nº1/35

Longe de poder avaliar no terreno, os efeitos da grande greve dos professores pré-universitários reinóis, quanto ao esclarecimento reformista de sua excelência ministerial, instrumentalizando a eventual ira anticorporativa da populaça, contra uns profissionais desautorizados pela aliança dos manufactureiros com o novoriquismo, por cá vou notando a chegada das ordenações lisbonenses sobre as aparências das massas bolonhesas temperadas com molho de avaliacionice, apesar de estar, hoje, marcado por uma enorme satisfação motivacional, face à visita de sua excelência ministerial o Professor Doutor Cravinho Jr., que a todos os membros da colónia lusitana convidou para uma dessas habituais sessões de diplomacia de croquete e à qual, naturalmente, corresponderei, para poder cumprir, aqui, sem greve de zelo, a ordem do “mail” convocatório.

Nada tenho que saber dos altos desígnios negociais da visita, embora tenha lido todos os telegramas emitidos sobre a matéria e que os blogues lisboeteiros pró-fretilin se encarregaram de divulgar, antes de os jornais lhes darem guarida. Mas não sei se alguém teve a delicadeza de sugerir ao Professor Doutor uma visitinha de cortesia a um dos nomes sagrados desta terra, o Manel Carrascalão, que continua a sofrer no Hospital Guido Valadares. Timor e Portugal talvez exigissem este pequeno grande gesto de respeito pelo sagrado. Quanto ao fundo da questão, não posso, nem devo, pronunciar-me, porque as notícias que, por cá, e para cá, nos filtram, são equivalentes às que tinham os antigos funcionários coloniais, sujeitos aos ritmos de pastilha e “briefing”, que, para eles, eram remetidos, em cifra, pelas excelências directoriais e sargentais que estavam sentadas nos gabinetes do ministério do arranha-céus da avenida não sei quê lá do restelo, onde ainda hoje se senta sua excelência o ministro da defesa e do pagamento dos soldos aos militares no activo e aos antigos combatentes. Como português de segunda, me assumo, reverente e obrigado, para receber o cheque e ir para a fila do BNU.

Por mim, enquanto for funcionário, cumprirei com lealdade e mérito, as funções que me foram confiadas, de acordo com os princípios constitucionais, mas também com toda a constitucionalíssima falta de respeito, a do direito de resistência, do direito originário, natural e racional, registado num artigo da nossa constituição, diante das distorções do politicamente correcto, com que certos altos serviçais do Estadão me querem condicionar, nomeadamente alguns desses militantes do partido dos becas que parece ter saudades da fórmula de aceitação das funções públicas que ornava tomada de posse dos tempos do salazarismo. Onde também éramos obrigados a ser servos voluntários dos valores da Constituição de 1933 e a comprometer-nos a não participarmos em associações secretas que a quisessem derrubar. Coisa que o meu mestre Agostinho gostava de contar, sobre o quando se recusou a assumir o juramento, por não conseguir poder limitar o respectivo futuro, dado não saber se poderia optar por essa “capitis deminutio”.

Se o socratismo cair na esparrela de atingir o nível da lei salazarenta de 1935, a de Alberto dos Reis, mesmo que um Fernando Pessoa não seja capaz de escrever um desses eternos manifestos contra a intolerância, o fanatismo e a ignorância, o Portugal do século XXI cumprirá a sua função adequadamente torquemada, e poderá até pedir à Sá Couto que inclua, no “Magalhães”, uma espécie de tecla de controlo parental para a detecção das viroses de associativismo que marquem um qualquer funcionário, nomeadamente as preferências pelo clubismo futebolístico, as crendices religiosas ou as opções sexuais.

Como cidadão e homem livre, habitual vítima deste tipo de controlo policiesco e de persiganga, visualizo a onda de redes e redes de informadores e denunciantes, bem como as resmas de apreensões de discos duros com que esta utópica republiqueta de becas se transformaria em retroactivo “tsunami”, porque os candidatos a caceteiros já os vejo prevenidos e acicatados por muitos e venerandos sermões, nomeadamente aqui na blogosfera. Ainda ontem, nuns comentarismos anónimos, o novo presidente do intervencionado BPP, meu antigo camarada de combates liberais no Grupo de Ofir de Francisco Lucas Pires, e devotíssimo e dilecto filho da universidade concordatária, era por aí acusado de pertencer à esotérica seita de Kant e Montesquieu, apesar de não se lhe terem visto as marcas simbólicas nas fraldas da camisa. Será que queremos dar emprego aos vinte mil informadores e denunciantes da velha PIDE-DGS que por aí ainda vão desempregados?

Apenas me tenho que recordar dos gloriosos tempos dos tribunais plenários e daqueles ilustres servidores magistrais do marquês e das alçadas antipedristas, para quase lhes sugerir que retomem antiquíssima legislação que transformou o conceito legal de aparência de limpeza de sangue numa estrela amarela, distintiva, com que deveriam ser ornados, nas suas aparições públicas, todos os politicamente incorrectos que vivem noutra dimensão de metapolítica. Já agora, seria interessante que exportassem essa luminosa ideia de repressão interior para tudo o que é república ainda livre, dos Estados Unidos ao Brasil, da França à Bélgica, etc. , e que por todo o mundo livre se abatesse a habitual escuridão que levou à tortura de Jacques Mollay e à própria entrada nos processo inquisitorial de Francisco Velasco Gouveia e do Padre António Vieira. Odeia essa república de becas. E não tenho medo de requerer o usso imediato do símbolo público da não limpeza de sangue. Obrigado, Manuel Alegre, por ainda resistires, isto é, por considerares que a metapolítica é bem superior à pulhítica da imagem, sondagem e sacanagem!

Dez 03

a metapolítica é bem superior à pulhítica da imagem, sondagem e sacanagem

Por mim, enquanto for funcionário, cumprirei com lealdade e mérito, as funções que me foram confiadas, de acordo com os princípios constitucionais, mas também com toda a constitucionalíssima falta de respeito, a do direito de resistência, do direito originário, natural e racional, registado num artigo da nossa constituição, diante das distorções do politicamente correcto, com que certos altos serviçais do Estadão me querem condicionar, nomeadamente alguns desses militantes do partido dos becas que parece ter saudades da fórmula de aceitação das funções públicas que ornava tomada de posse dos tempos do salazarismo. Onde também éramos obrigados a ser servos voluntários dos valores da Constituição de 1933 e a comprometer-nos a não participarmos em associações secretas que a quisessem derrubar. Coisa que o meu mestre Agostinho gostava de contar, sobre o quando se recusou a assumir o juramento, por não conseguir poder limitar o respectivo futuro, dado não saber se poderia optar por essa “capitis deminutio”. Se o socratismo cair na esparrela de atingir o nível da lei salazarenta  de 1935, a de Alberto dos Reis, mesmo que um Fernando Pessoa não seja capaz de escrever um desses eternos manifestos contra a intolerância, o fanatismo e a ignorância, o Portugal do século XXI cumprirá a sua função adequadamente torquemada, e poderá até pedir à Sá Couto que inclua, no “Magalhães”, uma espécie de tecla de controlo parental para a detecção das viroses de associativismo que marquem um qualquer funcionário, nomeadamente as preferências pelo clubismo futebolístico, as crendices religiosas ou as opções sexuais. Como cidadão e homem livre, habitual vítima deste tipo de controlo policiesco e de persiganga, visualizo a onda de redes e redes de informadores e denunciantes, bem como as resmas de apreensões de discos duros com que esta utópica republiqueta de becas se transformaria em retroactivo “tsunami”, porque os candidatos a caceteiros já os vejo prevenidos e acicatados por muitos e venerandos sermões, nomeadamente aqui na blogosfera. Apenas me tenho que recordar dos gloriosos tempos dos tribunais plenários e daqueles ilustres servidores magistrais do marquês e das alçadas antipedristas, para quase lhes sugerir que retomem antiquíssima legislação que transformou o conceito legal de aparência de limpeza de sangue numa estrela amarela, distintiva, com que deveriam ser ornados, nas suas aparições públicas, todos os politicamente incorrectos que vivem noutra dimensão de metapolítica. Já agora, seria interessante que exportassem essa luminosa ideia de repressão interior para tudo o que é república ainda livre, dos Estados Unidos ao Brasil, da França à Bélgica, etc. , e que por todo o mundo livre se abatesse a habitual escuridão que levou à tortura de Jacques Mollay e à própria entrada nos processo inquisitorial de Francisco Velasco Gouveia e do Padre António Vieira. Odeia essa república de becas. E não tenho medo de requerer o uso imediato do símbolo público da não limpeza de sangue. Obrigado, Manuel Alegre, por ainda resistires, isto é, por considerares que a metapolítica é bem superior à pulhítica da imagem, sondagem e sacanagem!