Dez 08

A liberdade é muito difícil: temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores…

Seis da tarde de Lisboa, dia 8, três da madrugada de Dili, dia 9. Os galos já cantam esparsos. Há internet e aproveito. Perdi o sono, ao ter que estar em contacto com Lisboa, nas tarefas, não de academia, não de cidadania, mas de mera defesa de direitos, liberdades e garantias. Como não me aconteceu em 1975, quando fui um dos estudantes expulsos da Universidade. Como aconteceu noutros combates, incluindo os de sindicalista e de activista de comissões de trabalhadores, contra o situacionismo de um dos governos de um dos partidos do Bloco Central. Hoje, é maior a solidão do indivíduo diante da máquina do Estado, mas um professor de história das ideias, de filosofia do direito e de ciência política tem o dever de praticar aquilo que teoriza sobre o poder e os micropoderes, nomeadamente a hierarquia do direito da razão que põe o regulamento como inferior à lei, a lei, inferior ao direito e o direito, inferior à justiça. Apenas assinalo o que Alçada Baptista escreveu em 1970, numa carta ao então chefe do governo: em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.

Dez 08

Os galos já cantam esparsos

Seis da tarde de Lisboa, dia 8, três da madrugada de Dili, dia 9. Os galos já cantam esparsos. Há Internet e aproveito. Perdi o sono, ao ter que estar em contacto com Lisboa, nas tarefas, não de academia, não de cidadania, mas de mera defesa de direitos, liberdades e garantias. Como não me aconteceu em 1975, quando fui um dos estudantes expulsos da Universidade. Como aconteceu noutros combates, incluindo os de sindicalista e de activista de comissões de trabalhadores, contra o situacionismo de um dos governos de um dos partidos do Bloco Central. Hoje, é maior a solidão do indivíduo diante da máquina do Estado, mas um professor de história das ideias, de filosofia do direito e de ciência política tem o dever de praticar aquilo que teoriza sobre o poder e os micropoderes, nomeadamente a hierarquia do direito da razão que põe o regulamento como inferior à lei, a lei, inferior ao direito e o direito, inferior à justiça. Apenas assinalo o que Alçada Baptista escreveu em 1970, numa carta ao então chefe do governo: em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.