Dez 13

Nesses caminhos de aborígenes, cheios de muitos sinais sagrados e a casa das corujas onde nasceu quem somos, para sempre

Aqui, diante do Ataúro, com a tribal descendência em vagamundo, com um em Delaware, outra em São Miguel e a terceira, entre Paris, Madrid e uma plataforma petrolífera do Mar do Norte, e para ajudar os pequenos agentes pidescos que nos procuram identificar com estrelas amarelas e ainda nos põem como descendentes do capitão da polícia de choque, apenas confirmo que os nossos avoengos, do patronímico, vieram todos dos moinhos da Ribeira e da Barroca, lá dos campos de Cernache e Vila Pouca, talvez oriundos da ilha do mar interior donde todos partimos, aqui vos deixo, gente da família, um primeiro inventário de nossa plebeia labuta à procura do abraço armilar. Porque poucos sabem dos trilhos que nos levavam às terras das Rodas ou do Cimo do Olival, nesses carreiros feitos com pés descalços, onde conhecíamos as árvores quase pelo nome e sabíamos das curvas da ribeira e dos silvados, quando minha avó me lavava às cavalitas, nesses caminhos de aborígenes, cheios de muitos sinais sagrados, onde se guardam os espíritos dos antepassados, entre alminhas, cruzeiros, eiras, moinhos e a casa das corujas onde nasceu quem somos, para sempre, porque sempre havemos de regressar, mesmo sem querermos e sem que a semente tivesse vivido em árvore que me desse a sombra eterna lá diante do Olho Marinho. Apenas quero ser do pó eterno, que o fogo atiça, e cinza a cinza que me espalhem no Atlântico que Mateus Álvares olhou em sonho, como o gavião com que me metaforizo. No dia 19, em Mafra, as gentes da Ericeira vão lançar em livro um pedaço de uma das minhas profecias, a propósito de 1808. Mesmo aqui, por lá serei, também.

PS: consta que o dantas, ex-ministro e tudo, continua como cadáver adiado, procriando condecorados saneamentos, através daquilo que, no direito não público, se chama assédio laboral, contra todos(as) (os)(as) mal-amad(os)(as), dissidentes e quejandos(as). Consta também que há revolucionários(as) sindicalistas que se compraram e que, à boa maneira do ti estaline, passaram para agentes torquemadas, queimando os gulagueiros, em assassinatos de carácter, em troca de uns degraus acima na engrenagem macacal. O dantas gosta de dizer que foi, ou esteve para ser, ministro da educação, com um pé no regime do pretérito e do presente, ou outro pé no outro, o do presente ou o do futuro. Com um pé no primeiro pê do bloco central e outro pé no outro pê. Com um adjunto num dos lados da barricada, cheirando a cultura, e outro, no sofá da banca, cheirando a tecnocrata. Porque só em Portugal, onde não há corrupção, é que os banqueiros não são terroristas, mas simples bancários com as pretensões do poetastro. Para que se confirme, do devorismo, o dito de proudhon sobre a propriedade ser um roubo, onde quem não mama não mama. Dizem que nos vamos ver livres do mais velho dos dantas ainda antes do fim do ano. Como se o dantas não se tivesse frutificado pela parasitagem que não lhe foi dada pela árvore do paraíso, mas pelo bichinho que devora as bagas ainda verdes e pedófilas e, depois, as expele além da tripa como carnes flácidas de velha espatifada. Ele, dantas, não se importava que o coiso mudasse de política, desde que o coiso lhe desse outro ministério, como pediu. Aliás, o dantas chegou a convidar o coiso para padrinho de casório, mas já o dito, em dita, estava a dar o badagaio. Agora, vingou-se em chateza, tentando dar aos outros o epitáfio dele próprio. Amen.  Que o dantas enfie a carapuça e que o Júlio Dantas me perdoe. Nada é com ele.

Dez 13

Nesses caminhos de aborígenes, cheios de muitos sinais sagrados e a casa das corujas onde nasceu quem somos, para sempre

Aqui, diante do Ataúro, com a tribal descendência em vagamundo, com um em Delaware, outra em São Miguel e a terceira, entre Paris, Madrid e uma plataforma petrolífera do Mar do Norte, e para ajudar os pequenos agentes pidescos que nos procuram identificar com estrelas amarelas e ainda nos põem como descendentes do capitão da polícia de choque, apenas confirmo que os nossos avoengos, do patronímico, vieram todos dos moinhos da Ribeira e da Barroca, lá dos campos de Cernache e Vila Pouca, talvez oriundos da ilha do mar interior donde todos partimos, aqui vos deixo, gente da família, um primeiro inventário de nossa plebeia labuta à procura do abraço armilar. Porque poucos sabem dos trilhos que nos levavam às terras das Rodas ou do Cimo do Olival, nesses carreiros feitos com pés descalços, onde conhecíamos as árvores quase pelo nome e sabíamos das curvas da ribeira e dos silvados, quando minha avó me lavava às cavalitas, nesses caminhos de aborígenes, cheios de muitos sinais sagrados, onde se guardam os espíritos dos antepassados, entre alminhas, cruzeiros, eiras, moinhos e a casa das corujas onde nasceu quem somos, para sempre, porque sempre havemos de regressar, mesmo sem querermos e sem que a semente tivesse vivido em árvore que me desse a sombra eterna lá diante do Olho Marinho. Apenas quero ser do pó eterno, que o fogo atiça, e cinza a cinza que me espalhem no Atlântico que Mateus Álvares olhou em sonho, como o gavião com que me metaforizo. No dia 19, em Mafra, as gentes da Ericeira vão lançar em livro um pedaço de uma das minhas profecias, a propósito de 1808. Mesmo aqui, por lá serei, também.

PS: consta que o dantas, ex-ministro e tudo, continua como cadáver adiado, procriando condecorados saneamentos, através daquilo que, no direito não público, se chama assédio laboral, contra todos(as) (os)(as) mal-amad(os)(as), dissidentes e quejandos(as). Consta também que há revolucionários(as) sindicalistas que se compraram e que, à boa maneira do ti estaline, passaram para agentes torquemadas, queimando os gulagueiros, em assassinatos de carácter, em troca de uns degraus acima na engrenagem macacal. O dantas gosta de dizer que foi, ou esteve para ser, ministro da educação, com um pé no regime do pretérito e do presente, ou outro pé no outro, o do presente ou o do futuro. Com um pé no primeiro pê do bloco central e outro pé no outro pê. Com um adjunto num dos lados da barricada, cheirando a cultura, e outro, no sofá da banca, cheirando a tecnocrata. Porque só em Portugal, onde não há corrupção, é que os banqueiros não são terroristas, mas simples bancários com as pretensões do poetastro. Para que se confirme, do devorismo, o dito de proudhon sobre a propriedade ser um roubo, onde quem não mama não mama. Dizem que nos vamos ver livres do mais velho dos dantas ainda antes do fim do ano. Como se o dantas não se tivesse frutificado pela parasitagem que não lhe foi dada pela árvore do paraíso, mas pelo bichinho que devora as bagas ainda verdes e pedófilas e, depois, as expele além da tripa como carnes flácidas de velha espatifada. Ele, dantas, não se importava que o coiso mudasse de política, desde que o coiso lhe desse outro ministério, como pediu. Aliás, o dantas chegou a convidar o coiso para padrinho de casório, mas já o dito, em dita, estava a dar o badagaio. Agora, vingou-se em chateza, tentando dar aos outros o epitáfio dele próprio. Amen. Que o dantas enfie a carapuça e que o Júlio Dantas me perdoe. Nada é com ele.

Dez 13

Poucos têm “mata-mata” (inteligência) para admitir o “ukun rasik an”(ordem própria) de cada povo

Começa a contagem descendente, começa a compreensão do que só é captável pelo espírito, do que só é navegável pela metafísica, por uma hermenêutica mais íntima, profunda e mesmo mítica, como leio no trabalho de um aluno. Porque há Lel Mau-Tar, o Sol, o ente radiante, o juiz último cujos raios chegam a todo o cantinho da Terra, iluminando e desvendando, com minúcia, toda a verdade, e nada deixando oculto ou camuflado. Ai de quem não chegue a esta tradição oral mambae, que não assuma Maromak gia tsu. Só assim pode sentir-se a continuação do novo cancioneiro de Timor que vai bem além do tetum para turista em comissão de serviço paga em USD, ou para empregado das ONGs, em carreirismo de factura: Rogamos às raízes para que elas penetrem na terra, aos botões para que ascendam aos céus, … àqueles que nos esconderijos e nos ermos estarão sempre acompanhados, a vossa busca do que visa o progresso tem de ir avante. Confesso que me bastam meia dúzia de trabalhos de alunos com estas recolhas sobre a justiça e o político no pré-estadual do Timorense, para me sentir um professor que aqui veio aprender, isto é, para me sentir verdadeiramente professor. E também para me reconhecer ineficaz, se ousasse bater à porta dos emissores globalizantes do rolo unidimensional do neocolonialismo, para que eles nos subsidiassem a lançar a resistência deste aceder ao universal pela diferença. Os paineleiros preferem os mercenários de Sarawak e os que desiberizaram em 1898 Cuba e as Filipinas e que agora emitem PHDs para que fiquemos terceiromundizados em vassalagem, vergonha e política da canhoneira.  Que lhes interessa que o ga’u vanu mi sirva para manter a harmonia entre a comunidade e a natureza, entre a comunidade e o ancestral no mundo inivisível. Interessa-lhes mais pentear macacos e traduzir em calão constituições que nem o pluralismo da autonomia dos Açores conseguem captar criativamente. PS: A imagem podia ser do Corvo e das Flores. É apenas do mar-mulher a caminho de Manatuto.  Os crocodilos preferem passear pelo mar-homem, lá do outro lado da montanha. As incompreensões sobre as autonomias são exactamente as mesmas e os jacobinos não há meio de se aliarem aos girondinos na festa da federação, relendo Althusius, Teófilo Braga ou até Proudhon e Rougemont…

Dez 12

O neocabralismo revisitado, face a novas propostas de estrela amarela, para que voltemos a ser a galhofa do Ocidente

Não foi por acaso que, ontem, ao ouvir, aqui em Dili, relatos autênticos, provindos de um violentado por certa grandiosa personalidade, pertencente a uma certa religião universal, me foi dado concluir que todas as grandes instituições universais se compõem de três elementos: um que é secreto, o da fé; o elemento caridoso, da filantropia, da fraternidade ou da solidariedade; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época reage, quanto à atitude social, diferentemente. Isto é, aquilo que o jesuíta Francisco Suárez concluiu quando deu mais Aristóteles e mais estoicismo à primeira versão restauracionista dos princípios greco-romanos de São Tomás de Aquino.

Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito metafísico, cada ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade dos indivíduos, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa. Contudo, há uma entidade que gira, porém, em torno de uma só idéia – a “tolerância”; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender.

Uma entidade que não tem uma doutrina. E tudo quanto se chama doutrina da coisa pública em causa são opiniões individuais dos membros da instituição, quer sobre a ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas. Mas, as suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a instituição nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos fundamentalistas, ou dos militantes de certas doutrinas e ideologias, consiste em tentar definir o espírito do que é metapolítica, em geral pelas afirmações de membros particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé.

O segundo erro dos mesmos fundamentalistas, de todas as ideologias e de todas as religiões, consiste em não querer ver que a instituição, unida espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afectam a instituição como afectam toda a gente. A sua acção social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue daqui que nenhum ato político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da instituição em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a instituição não criou.

As citações em cripto-escrita e metalinguagem fazem parte de um artigo que certo empregado de uma agência de publicidade enviou para um Diário de Lisboa, depois de um deputado lusitano,proponente da restauração da pena de morte, ter conseguido a aliança de alguns ilustres lentes de Direito e de alguns traidores, para emitir a primeira lei formal do regime derrubado em 1974.

Por mim, continuo, como sempre, seguidor das perspectivas de meu mestre Fernando e julgo que a recente aquisição de algumas peças do respectivo espólio só foi possível devido a manobras de organizações secretas, como aquelas que levaram à fundação de uma escola onde autor do  ilustre postal que me serve de pretexto foi formado.

Logo, deve o mesmo Fernando ser banido de todos os manuais escolares, juntamente com os textos de outros inimigos da humanidade como Goethe e Kant, propondo-se até que o um parque ajardinado onde está a Estufa Fria, em Lisboa, mude de nome, porque o dito cujo faz parte eterna da mesma ordem. Aliás, deveremos extinguir, em nome dos mesmos fundamentalismos, consequências que tanto irritam certas cabecinhas que confundem a nuvem com Juno, ou Mafoma com o toucinho,  como a república norte-americana,  a monarquia e a revolução inglesas, ou uma entidade política feita em torno de tais princípios diabólicos, um tal Brasil, que, por acaso, é o Estado mais católico do mundo. Infelizmente a destruição da monarquia liberal portuguesa impediu que Portugal, nesse âmbito da tolerância e da complexidade crescente, copiasse a grande esperança da pátria da língua portuguesa para o século XXI. Concordo plenamente com a recente proposta do reitor da universidade concordatária lusitana: a república a que chegámos deve pedir desculpa aos jesuítas, mas desde que os eclesiásticos católicos, nesta de perdão, façam como os mais recentes papas fizeram face aos judeus e, no universo da história contemporânea lusitana, peçam deculpa aos liberais, no strictu sensu da palavra.

Volta, José dos Santos Cabral, estás perdoado!  Porque já não há fogueira, nem autos ditos da fé, a estrela amarela, já! Mesmo para liberais à antiga, de sempre, e para sempre, militantes conservadores, de mal com os progressistas por serem do nacionalismo místico, e de mal com os reaccionários por serem tradicionalistas. O pior dos que se pensam sabedores de segredos, confundindo o nome com a coisa nomeada,  é não saberem que o verdadeiro segredo está em não haver segredo, a não ser para a metapolítica, a metalinguagem e o amor. Só não é segredo nenhum que mesmo entre os portugueses alguns traidores houve, algumas vezes…

Dez 12

A Ilha Verde e Vermelha de Timor e um ministro sidonista

E eis-te no fim do mundo,

Costa verde e vermelha de Timor!

Mas que divina, extraordinária cor,

A do teu céu, a do teu mar profundo!

É d’oiro a manhã de Dili.

(Alberto Osório de Castro)

Não foi por acaso que Ruy Cinatti dedicou Um Cancioneiro de Timor a quem editou,  em Dili, no ano de 1908, Flores de Coral. Ambos chegaram ao amor de Timor pela misteriosa capacidade de sentir e de amar a Terra, o Homem e Deus, como Jorge Dias disse do primeiro. Porque Alberto Osório de Castro, aqui magistrado no crepúsculo da monarquia e que até há-de ser ministro da justiça da República Portuguesa, no sidonismo, é mais do que as aparências de um título: A Ilha Verde e Vermelha de Timor, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1943. Basta assinalar que os primeiros versos desta publicação surgiram na revista Seara Nova, em 1928. É melhor lê-lo, integrando-o no seu tempo: de colega, e íntimo amigo, de Camilo Pessanha.

Na frescura das ribeiras.

Murmura perpetuamente

A verde sombra virente

Das gaboeiras

À contemplação da paisagem em Fahi-ten

Saudades são a lembrança

Dalgum bem que nos deixou

P’ra sempre, e sem esperança

De volta, o bem que passou.

E passa mesmo a lembrança

De todo o bem que findou

Depois de uma viagem de regresso Lahane

Alto vale de Lahane, ermo e divino,

No murmúrio das águas! Quantos dias

Por tuas sombras divaguei, absorto

Na beleza da vida morredoira,

Face do mundo misteriosa e vária…

A infinda noite opalescente

Sobe, arrebatadoramente,

A fugir de todo o olhar,

Céu tão claro, tão surpreendente,

Que sente a alma, longinquamente,

Como um voo do céu aflar.

A asa translúcida e nevada

Roça de leve a cumeada,

Adeja, e perde-se a alvejar

Na azulada noite doirada…

Presença alada enamorada

Da imensidade do luar.

Dez 12

A Ilha Verde e Vermelha de Timor e um ministro sidonista

E eis-te no fim do mundo,

Costa verde e vermelha de Timor!

Mas que divina, extraordinária cor,

A do teu céu, a do teu mar profundo!

É d’oiro a manhã de Dili.

(Alberto Osório de Castro)
Não foi por acaso que Ruy Cinatti dedicou Um Cancioneiro de Timor a quem editou, em Dili, no ano de 1908, Flores de Coral. Ambos chegaram ao amor de Timor pela misteriosa capacidade de sentir e de amar a Terra, o Homem e Deus, como Jorge Dias disse do primeiro. Porque Alberto Osório de Castro, aqui magistrado no crepúsculo da monarquia e que até há-de ser ministro da justiça da República Portuguesa, no sidonismo, é mais do que as aparências de um título: A Ilha Verde e Vermelha de Timor, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1943. Basta assinalar que os primeiros versos desta publicação surgiram na revista Seara Nova, em 1928. É melhor lê-lo, integrando-o no seu tempo: de colega, e íntimo amigo, de Camilo Pessanha.

Na frescura das ribeiras.
Murmura perpetuamente
A verde sombra virente
Das gaboeiras
À contemplação da paisagem em Fahi-ten
Saudades são a lembrança
Dalgum bem que nos deixou
P’ra sempre, e sem esperança
De volta, o bem que passou.
E passa mesmo a lembrança
De todo o bem que findou
Depois de uma viagem de regresso Lahane
Alto vale de Lahane, ermo e divino,
No murmúrio das águas! Quantos dias
Por tuas sombras divaguei, absorto
Na beleza da vida morredoira,
Face do mundo misteriosa e vária…

 

 

A infinda noite opalescente
Sobe, arrebatadoramente,
A fugir de todo o olhar,
Céu tão claro, tão surpreendente,
Que sente a alma, longinquamente,
Como um voo do céu aflar.
A asa translúcida e nevada
Roça de leve a cumeada,
Adeja, e perde-se a alvejar
Na azulada noite doirada…
Presença alada enamorada
Da imensidade do luar.

Dez 12

O neocabralismo revisitado, face a novas propostas de estrela amarela, para que voltemos a ser a galhofa do Ocidente

Não foi por acaso que, ontem, ao ouvir, aqui em Dili, relatos autênticos, provindos de um violentado por certa grandiosa personalidade, pertencente a uma certa religião universal, me foi dado concluir que todas as grandes instituições universais se compõem de três elementos: um que é secreto, o da fé; o elemento caridoso, da filantropia, da fraternidade ou da solidariedade; e o elemento a que chamarei humano – isto é, o que resulta de ela ser composta por diversas espécies de homens, de diferentes graus de inteligência e cultura, e o que resulta de ela existir em muitos países, sujeita portanto a diversas circunstâncias de meio e de momento histórico, perante as quais, de país para país e de época para época reage, quanto à atitude social, diferentemente. Isto é, aquilo que o jesuíta Francisco Suárez concluiu quando deu mais Aristóteles e mais estoicismo à primeira versão restauracionista dos princípios greco-romanos de São Tomás de Aquino. Nos primeiros dois elementos, onde reside essencialmente o espírito metafísico, cada ordem é a mesma sempre e em todo o mundo. No terceiro, qualquer instituição humana, secreta ou não – apresenta diferentes aspectos, conforme a mentalidade dos indivíduos, e conforme circunstâncias de meio e momento histórico, de que ela não tem culpa. Contudo, há uma entidade que gira, porém, em torno de uma só idéia – a “tolerância”; isto é, o não impor a alguém dogma nenhum, deixando-o pensar como entender. Uma entidade que não tem uma doutrina. E tudo quanto se chama doutrina da coisa pública em causa são opiniões individuais dos membros da instituição, quer sobre a ordem em si mesma, quer sobre as suas relações com o mundo profano. São divertidíssimas. Mas, as suas afirmações, porém, são simplesmente suas; a instituição nada tem com elas. Ora o primeiro erro dos fundamentalistas, ou dos militantes de certas doutrinas e ideologias, consiste em tentar definir o espírito do que é metapolítica, em geral pelas afirmações de membros particulares, escolhidas ordinariamente com grande má fé. O segundo erro dos mesmos fundamentalistas, de todas as ideologias e de todas as religiões, consiste em não querer ver que a instituição, unida espiritualmente, está materialmente dividida, como já expliquei. A sua ação social varia de país para país, de momento histórico para momento histórico, em função das circunstâncias do meio e da época, que afectam a instituição como afectam toda a gente. A sua acção social varia, dentro do mesmo país, de Obediência para Obediência, onde houver mais que uma, em virtude de divergências doutrinárias – as que provocaram a formação dessas Obediências distintas, pois, a haver entre elas acordo em tudo, estariam unidas. Segue daqui que nenhum ato político ocasional de nenhuma Obediência pode ser levado à conta da instituição em geral, ou até dessa Obediência particular, pois pode provir, como em geral provém, de circunstâncias políticas de momento, que a instituição não criou. As citações em cripto-escrita e metalinguagem fazem parte de um artigo que certo empregado de uma agência de publicidade enviou para um Diário de Lisboa, depois de um deputado lusitano,proponente da restauração da pena de morte, ter conseguido a aliança de alguns ilustres lentes de Direito e de alguns traidores, para emitir a primeira lei formal do regime derrubado em 1974. Por mim, continuo, como sempre, seguidor das perspectivas de meu mestre Fernando e julgo que a recente aquisição de algumas peças do respectivo espólio só foi possível devido a manobras de organizações secretas, como aquelas que levaram à fundação de uma escola onde autor do  ilustre postal que me serve de pretexto foi formado. Logo, deve o mesmo Fernando ser banido de todos os manuais escolares, juntamente com os textos de outros inimigos da humanidade como Goethe e Kant, propondo-se até que o um parque ajardinado onde está a Estufa Fria, em Lisboa, mude de nome, porque o dito cujo faz parte eterna da mesma ordem. Aliás, deveremos extinguir, em nome dos mesmos fundamentalismos, consequências que tanto irritam certas cabecinhas que confundem a nuvem com Juno, ou Mafoma com o toucinho,  como a república norte-americana,  a monarquia e a revolução inglesas, ou uma entidade política feita em torno de tais princípios diabólicos, um tal Brasil, que, por acaso, é o Estado mais católico do mundo. Infelizmente a destruição da monarquia liberal portuguesa impediu que Portugal, nesse âmbito da tolerância e da complexidade crescente, copiasse a grande esperança da pátria da língua portuguesa para o século XXI. Concordo plenamente com a recente proposta do reitor da universidade concordatária lusitana: a república a que chegámos deve pedir desculpa aos jesuítas, mas desde que os eclesiásticos católicos, nesta de perdão, façam como os mais recentes Papas fizeram face aos judeus e, no universo da história contemporânea lusitana, peçam deculpa aos liberais, no strictu sensu da palavra. Volta, José dos Santos Cabral, estás perdoado!  Porque já não há fogueira, nem autos ditos da fé, a estrela amarela, já! Mesmo para liberais à antiga, de sempre, e para sempre, militantes conservadores, de mal com os progressistas por serem do nacionalismo místico, e de mal com os reaccionários por serem tradicionalistas. O pior dos que se pensam sabedores de segredos, confundindo o nome com a coisa nomeada,  é não saberem que o verdadeiro segredo está em não haver segredo, a não ser para a metapolítica, a metalinguagem e o amor. Só não é segredo nenhum que mesmo entre os portugueses alguns traidores houve, algumas vezes…

Dez 10

Há quem não goste de ser tratado como gado corrupto, como mais um escravo que se pode adquirir no mercado da concorrência desleal

Não é Tereza Batista, mas José Sócrates que se diz cansado de guerra com os professores, utilizando uma metáfora pouco propícia à missão docente, enquanto o episódio da gazeta dos deputados, que apanhou em cheio o PSD, demonstra como a sala da Câmara dos Pares é menos propícia ao controlo electrónico do que o hemiciclo do Solar dos Barrigas. Não tardará que depois de casa roubada, apareçam ainda mais clamores sobre o controleirismo dos senhores representantes da nação, numa espiral que, como a evasão fiscal, levará a ainda mais gazetas, porque o problema não está em substituir os presidentes dos grupos parlamentares por policiais sargentos de milícias, mas de darmos uma função nobre ao parlamento.

Aliás, quando, em mero registo de “lapsus calami”, um jovem secretário de estadão deste governo lusitano  proclamou que quem não estivesse com as magníficas reformas socráticas seria trucidado, ele apenas cometeu um erro de pôr mais um texto fora do contexto, sem trazer a coisa nomeada ao próprio nome. Aliás, nem sequer atingiu o nível de uma piada como aquela em que, outrora, Jorge Coelho tentou mobilizar o partido clamando em comicieirês que “quem se mete com o PS leva”. Qualquer um desses lapsos, não me leva a elogiar Maria de Lurdes, mas apenas me faz admirar antigos colaboradores do velho diário anarco-sindicalista, como a genialidade do escritor Ferreira de Catsro, a autenticidade memorialista de um Alexandre Vieira ou os rasgos de paciente patriotismo do historiador Mário Domingues, santomense e tudo.

Apenas registo mais este rol de decadentismos, sem dizer teias da conspiração e estupidez vingativa da persiganga, agremiando generais solitários com alferes auxiliares, sargentos verbeteiros e uns donzéis ambiciosos e carreiristas. Já disse tudo e quero regressar assim com a razão posta em discurso. Basta notar como uma simples faúlha incendiou a muita palha do parceiro grego. Basta ter ouvido os avisos que ontem lançaram Daniel Bessa e João Salgueiro que, para leigo, disseram que não podemos continuar a viver acima daquilo que produzimos, porque o gnosticismo da integração europeia e da globalização, nestes domínios, é coisa que já era e nunca, na verdade, foi.

Porque há altos serventuários do estadão que se assumem como de primeira, especialmente quando pensam que as outras gentes do Puto são todas de segunda, esquecendo que há quem não goste de ser tratado como gado corrupto, como mais um escravo que se pode adquirir no mercado da concorrência desleal, só porque estamos sujeitos a claustrofobia. Mesmo quando me dizem que o mosquito do dengue ataca apenas a horas de meio dia, temo confundi-lo com as melgas que gostam do crepúsculo.

Por mim,  não tenho aquela potência absoluta que permita manejar a classificação do bem e do mal, onde tanto há bestas que passam a bestiais, como bestiais que passam a bestas, conforme os caprichos e a birras do déspota mimado. Eu sei que a noite desceu sobre a cidade, mas vivo, ainda assim na outra metade do mundo. E não posso esquecer, não sei esquecer. Porque algumas vezes me viajei assim por dentro, vibrando sobre as pequenas colinas que vislumbrei, além dos farrapos que me encobriam o dia. E já nem sei se o que aconteceu foi em verdade ou foi em sonho, quando olhei de mim, longe de mim, outros sinais.

E sinto. Sem  pensamento. Sinto o sabor de outros sentires que só uma vez se sentem porque foram a primeira vez, a única vez. Como as feridas que abri nos frutos da terra, as sinfonias de um estampido diante do mar, nesses sinais que foram e me deram eternidade. Porque, na memória, eles são recordações de felicidade.

Dez 10

Homem Livre! Azul e branco ou verde e amarelo…sonho, logo sou…

Herculano, Cortesão, Garrett, Burke,  Pacoaes, Kant, Agostinho, Pessoa, Churchill, Neto Paiva… bolas! Noventa por cento dos meus mestres, assinados, públicos e notórios, de há muito, de há décadas, são do profundo azul e branco e da  cruz templária que me deu pátria e liberdade. Este segredo que de mão a mão nos une em corrente livre de algemas, mas plena de união na diversidade. De direita ou de esquerda, da tradição ou do progresso, realistas ou republicanos, mas sempre contra o fanatismo, a ignorância e a intolerância, pela santa liberdade!..

Eis minha resposta a um comentário anónimo de um blogue pleno de fascistas folclóricos e de informações à velha maneira pidesca… os tais que pensam que têm o monopólio de pátria, só porque esta foi averbetada pelos sargentos, ao mesmo tempo que confundem a sacristia com o espírito. E também um aviso para os que pensam que é por oportunismo que se proclamam convicções liberais, à antiga, da lusitana antiga liberdade, de Velasco Gouveia a Luís da Silva Mousinho de Albuquerque.  Há sangue demais, exílio demais, prisões demais, para que me possa esquecer que a liberdade é uma conquista.

E aqui o digo, cá de Dili, quando a corrente descendente dos dias de regresso começa a contabilizar-se, depois de cumprida a missão formal e de realizados os objectivos íntimos que aqui me trouxeram.  Porque consegui, com um safanão na rotina, não reprimir o livro de escritos inúteis que, há mais de dois anos, tinha encalhado nas trocas e baldrocas dos motivos pelos quais recebemos vencimento. E o projecto acabou ontem de ter uma primeira impressão em fotocópia, aqui na editora privada dita Xerox, apenas com um unico exemplar, o meu, para rever, refazer e condensar, com o provisório título que nunca o será de “carreiros de pé descalço” e o subtítulo de “onde no princípio tem de estar o fim”.

Também ontem enviei para Lisboa a revisão das últimas provas da penúltima parte do meu livro no prelo, por mais setenta e cinco USD. Tal como concluí a nova biografia do pensamento político, a ser editada em “respublica”, mas não podendo daqui ser emitida, face às insuficiências do “upload”. Tal como elaborei o rascunho final de uns densos “tópicos políticos” que, quando chegar a Lisboa, irão à procura de editora. Hoje, estou a concluir o relatório à rodriguinha e bolonhesa, a dar os últimos retoques nas notas de avalição contínua, e quase a ter a ilusão de apresentar um projecto de levantamento dos termos e ideias de direito no Timor profundo, não colonizado, não ocupado e não globalizado. Há notáveis trabalhos de alunos que gostaria de ver editados. Para que muitos doutos subsidiados pela cunha do influente não continuem a falar em Sarawak, cortadores de cabeças e fardos de um homem branco que decreta os outros como incivilizados e selvagens, só porque não tiveram Hitler, Torquemada ou o tipo da GNR que, nos anos trinta, pôs a tripas de fora a um meu avoengo. Qualquer Lord Byron, depois da carga de porrada saloia que recebeu em Sintra, disse, como a lenda dos romanos, madrilenizada, que tanto não nos governávamos como não nos deixávamos governar. Vale mais olharmo-nos ao espelho, antes de sentenciarmos sobre o outro.

Por isso, me não entusiasmei com as comemorações do 60º aniversário da declaração-decreto que se disse universal sobre direitos humanos. Preferi recordar o que sobre a matéria disseram Gandhi, Laski e Teilhard. Entusiasmei-me com artigo de Joseph Yacoub e fiquei a pensar numa frase de Teilhard sobre a matéria: Les races humaines ne sont pas égales mais différentes etcomplémentaires comme les enfants d’une même famille. C’est la complexité qui engendre les différences (ainsi que les libertés). Plus les unions complexifient le milieu, moins on peut y introduire de catégories valables, de critères de sélection et de différenciation maniables : il n’y a plus troupeau ou masse ou classes mais des personnes de plus en plus singulières, irremplaçables, indéfinissables.

E compreendi Jacques Maritain: Comme en 1789, c’est l’homme qui légifère : il ne suit pas laconception chrétienne, il n’accepte pas ce qui est en dehors de lui. Ildécrète. Il décrète à son gré ce qu’il pourra à son gré changer ; et il changera tôt ou tard parce que, en décrétant ainsi, il se trompe intrinsèquement.

Leiam, senhores, esse pequeno artigo. Espreitem o que diz um islâmico como Humayun Kabir (1906-1969): Quels que soient ces droits, en théorie, ils ne sont bien souvent reconnus, en pratique, qu’aux seuls Européens, et parfois même à certains Européens seulement. Notem o conselho dado pelo indiano S. V. Puntambekar: Il n’existe plus d’êtres humains dans le monde : rien que des hommes soumis aux préjugés de religion et de race, de caste ou de groupe. [...] Le monde est aujourd’hui en proie à la folie ; il se précipite vers la destruction et le despotisme, il aspire à tout conquérir et à tout dominer, à tout piller et à tout dépouiller.

E tudo me foi provocado, quando ontem, ao sair da universidade, mesmo diante do Parlamento Nacional, a rua estar cortada, cheia de polícias, num dos raros espectáculos de securitário que aqui me foi dado assistir. Logo me deram a explicação: o Presidente José Ramos Horta estava no plenário a comemorar o sexagésimo aniversário da declaração. Vim para casa, acabei de ler e anotar o Luna de Oliveira, o René Pélissier e o Geoffrey C. Gunn e a perceber a razão da SAPT ainda ter permanecido na família do governador Celestino. Alguns desses livros jaziam na minha biblioteca em Lisboa, mas só os consegui compreender, sentindo, aqui, o ambiente de ir comprar café nos pátios do complexo agrofabril do BNU, onde hoje se situa a Ensul e que bem podia ser um belo museu do nosso bancoburocrático do rotativismo, do republicanismo e do estadonovismo, com os dentes e os lábios vermelhos de betel.

Porque só sentindo o pensamento se atinge a razão inteira que é a razão complexa. Continuo convicto na minha identidade do só sei que nada sei, do penso, logo existo, e do “in God we trust”, onde Deus podem ser deuses e Deus é o mesmo do que o mundo, à boa maneira de Espinosa e de todos os heréticos não agnósticos que dele descendem. Como eu. Que também cito São Tomás de Aquino, Francisco Suárez, Jacques Maritain e Teilhard de Chardin. Vou continuar a pensar o sentimento, sobretudo quando tenho o privilégio de ser despertado pelo sentir do pensamento. Sonho, logo sou.

Dez 10

homem livre! Azul e branco ou verde e amarelo…sonho, logo sou…

Herculano, Cortesão, Garrett, Burke,  Pacoaes, Kant, Agostinho, Pessoa, Churchill, Neto Paiva… bolas! Noventa por cento dos meus mestres, assinados, públicos e notórios, de há muito, de há décadas, são do profundo azul e branco e da  cruz templária que me deu pátria e liberdade. Este segredo que de mão a mão nos une em corrente livre de algemas, mas plena de união na diversidade. De direita ou de esquerda, da tradição ou do progresso, realistas ou republicanos, mas sempre contra o fanatismo, a ignorância e a intolerância, pela santa liberdade!.. Eis minha resposta a um comentário anónimo de um blogue pleno de fascistas folclóricos e de informações à velha maneira pidesca… os tais que pensam que têm o monopólio de pátria, só porque esta foi averbetada pelos sargentos, ao mesmo tempo que confundem a sacristia com o espírito. E também um aviso para os que pensam que é por oportunismo que se proclamam convicções liberais, à antiga, da lusitana antiga liberdade, de Velasco Gouveia a Luís da Silva Mousinho de Albuquerque.  Há sangue demais, exílio demais, prisões demais, para que me possa esquecer que a liberdade é uma conquista. Apenas registo mais este rol de decadentismos, sem dizer teias da conspiração e estupidez vingativa da persiganga, agremiando generais solitários com alferes auxiliares, sargentos verbeteiros e uns donzéis ambiciosos e carreiristas. Já disse tudo e quero regressar assim com a razão posta em discurso. Basta notar como uma simples faúlha incendiou a muita palha do parceiro grego. Basta ter ouvido os avisos que ontem lançaram ilustres economistas que, para leigo, disseram que não podemos continuar a viver acima daquilo que produzimos, porque o gnosticismo da integração europeia e da globalização, nestes domínios, é coisa que já era e nunca, na verdade, foi. Porque há altos serventuários do estadão que se assumem como de primeira, especialmente quando pensam que as outras gentes do Puto são todas de segunda, esquecendo que há quem não goste de ser tratado como gado corrupto, como mais um escravo que se pode adquirir no mercado da concorrência desleal, só porque estamos sujeitos a claustrofobia. Mesmo quando me dizem que o mosquito do dengue ataca apenas a horas de meio dia, temo confundi-lo com as melgas que gostam do crepúsculo. Por mim,  não tenho aquela potência absoluta que permita manejar a classificação do bem e do mal, onde tanto há bestas que passam a bestiais, como bestiais que passam a bestas, conforme os caprichos e a birras do déspota mimado. Eu sei que a noite desceu sobre a cidade, mas vivo, ainda assim na outra metade do mundo. E não posso esquecer, não sei esquecer. Porque algumas vezes me viajei assim por dentro, vibrando sobre as pequenas colinas que vislumbrei, além dos farrapos que me encobriam o dia. E já nem sei se o que aconteceu foi em verdade ou foi em sonho, quando olhei de mim, longe de mim, outros sinais.