Eleições europeias.

Com a campanha para as europeias a entrar na segunda metade das suas voltinhas a um Portugal que os candidatos e campanheiros fingem ainda querer conquistar, o pelotão continua quase compacto e o antigo camisola amarela,o PS, anuncia que existirá uma vitória se conseguir mais deputados eleitos do que o principal adversário.  O pessoal a quem se dirigem não os conhece, ou mediocremente dá por eles. A nitidez crescente desta ignorância popular faz dos “políticos” algo de criminosos, porque a eles cumpre não só esclarecer como evitar o declínio acentuado da democracia e a degenerescência de um regime que têm de ocupar o espaço mais amplo de definição. O desfile de nulidades e de apparatchiks de que as televisões são palco constitui a afirmação de um tribalismo generalizado, que não comporta a esperança mas a resignação. Esta democracia é uma desgraça porque espicaça o desprezo, alimenta o ressentimento, incrementa o rancor e não conseguiu, em 35 anos, extirpar os odiosos fantasmas do racismo e da xenofobia. Tudo isto é muito mau: a mediocridade dos dirigentes; a incultura e a ignorância dos quadros intermédios; o culto da competitividade como modo e forma de triunfo; o apagamento da cidadania; a liturgia do dinheiro como expressão única de ascensão. A natureza profunda do envilecimento do regime encontra-se na péssima qualidade dos seus dirigentes. Esta democracia é uma miséria. Mas é minha. Também eu a construí. Lá estarei a votar. No contexto desta balança da Europa, a democracia do parlamento está definitivamente superada pela tecnocracia da comissão, enquanto nos interstícios regressámos claramente ao directório das potências, neste projecto europeu de muitas velocidades e outras tantas hipocrisias. Logo, não é um abstracto mais Europa que nos pode salvar deste ameaçador “out of control”, onde se vai tornar maioria absoluta portuguesa um tripé de esquerda propagandística. Por outras palavras, o país mais à esquerda da Europa soferá as agruras de desertificar os restos de meritocracia que o poderiam regenerar e entrará na loucura de um distributivismo que o fará entrar no contraciclo.

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