Eu, radical do centro excêntrico e, portanto, contra a esquerda e a direita a que chegámos, confirmei que, afinal, estou no extremo-centro da Europa!

A campanha acabou. Hoje é dia de reflexão, para passarmos, amanhã, da sondajocracia à democracia. Também eu aproveitei o retiro espiritual para tentar saber onde depositar o meu voto. Fui ao EU.Profiler, respondi a meia dúzia de questões, por vezes pouco adequadas ao nosso ritmo, tirei as consequências e dei comigo a menos de um milímetro do extremo-centro das opções partidárias europeias. Não desesperei, fiz a transposição para o resto da Europa. No âmbito do Estado Espanhol, era Ciudadanos-Partido de la Ciudadania, Partido Nacionalista Vasco, Esquerra Republicana de Catalunya, Coalicion Canaria e Bloque Nacionalista Galego. Assim mesmo, o que é verdade.

 

 

 

 

Em França, andava pelo Mouvement Républicain et Citoyen. Na Alemanha, Freie Wähler e Freie Demokratische Partei. Em Itália, próximo de Bonino, tinha pinta de Italia dei Valori. Na Holanda, claramente Democraten 1966. No Reino Unido, um pedacinho de Conservative Party e quase todo com os Liberal Democrats, para, de forma irlandesa, ser quase Fine Gael.

 

 

 

Fiquei reconfortado. Não tenho que ir contra o monstro, à maneira de Louçã, que assim repete um slogan do seu colega de ISEG, Aníbal, e, muito menos, que cair nos conselhos de Mário Soares e gritar slazarentamente com Vital que ela é nossa, não a Angola, mas essa frustração de império chamada Europa.

 

 

 

Afinal, sinto-me em pleno centro da Europa, tão europeísta que não tenho de me disfarçar com os hábitos da partidocracia dominante, os quais, afinal, não nos fazem monges. Aliás, ainda ontem, ao regressarmos a casa depois do jantar, demos com um comício jantante de um dos partidos concorrentes, com bandeira, cabeça de lista, presidente do partido, cônjuges e demais comitiva. Atingiam a módica quantia de dez pessoas. Sorri.

 

 

 

Recebi um SMS de outro, porque gosto imenso da respectiva cabeça de lista. Quebrei a tentação do voto de protesto no Jerónimo. Solidarizei-me com toda a íntima admiração por um meu antigo professor e revoltei-me, ao lado dele, contra as falsas notícias académicas que bufaram indevidamente e mandei-lhe abstractamente um abraço. Mas, se for às urnas, porque amor com amor se paga, estarei em protesto com a Professora Manuela Magno. E a ela ainda não comuniquei directamente que, em confiança, se tornou na minha vacina contra a abstenção. Encimo o postal com a bandeira do partido que gostava de ver fundado em Portugal.

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