Contra os caçadores furtivos deste sinal de esperança

Depois de ter sido vítima anónima destas reformas do estadão a nível do serviço nacional de saúde durante os dois últimos dias da semana que passou, tenho de aturar mais uma conversata do ex-ministro da reforma do dito, bem como nova invocação de outra qualquer fotocópia dita reformista, que um rato de gabinete traduziu em calão do universitarês tecnocrático. Prefiro referir as nebulosas que nos vêm de um país político que vive na balbúrdia do interregno, entre o tudo e o seu nada. Logo, todos os que não estão disponíveis para que lhes torçam a espinha no amolecimento neofeudal que nos enreda e querem assumir a rebeldia de viverem como pensam correm o risco de ostracismo. Porque somos cada vez um pequeno Irão onde até há universidades que se prostram em assembleia diante de um qualquer revisionista da história que se assuma, pelo decretino, como santificado. Os discursos oficiosos são tão mórbidos que até se alegram com sinais de já termos batido no fundo e de nos compararem com uma qualquer média da comparação estatística dos outros, em certos segmentos onde não estaremos na cauda do bicho. Os desvarios das várias licensiosidades governativas que vamos tendo e os crescentes eleitoralismos e populismos da campanha permanente a que estamos condenados continuam a deixar-nos uma pesada factura que todos os vivos e nascituros terão de pagar, porque apenas continuamos a ter os governos que merecemos e os falsos sebastianismos que sufragamos. Quem for essencialmente contra este sistema, em defesa do regime, não pode cair na esparrela de passar um cheque em branco aos que agora mandam no situacionismo, ou aparecem como alternância do mais do mesmo, mas fingindo-se alternativa. Importa continuar a subverter o sistema em defesa dos princípios fundacionais do regime e da própria nação. Ai da democracia se, nos próximos actos eleitorais, se conservar o que está e não se fizer o necessário golpe de Estado sem qualquer efusão de sangue , ou de outra qualquer violência, incluindo a revolucionária. Caso as eleições não apontem para uma efectiva mudança e porque um 5 de Outubro, um 28 de Maio ou um 25 de Abril já são impossibilidades técnicas, eis que um novo regime, uma nova ditadura nacional ou um novo processo revolucionário podem ter como sucedâneo um mero acto de anexação dos nossos centros de decisão por protectorados supranacionais, seja da geofinança, seja de um qualquer directório da hierarquia das potências, colocando-nos sob estrita vigilância, a fim de pagarmos o que internacionalmente devemos. Não me comovem, portanto, as viúvas destas partidocracia com os seus discursos de justificação memorialista. Dentro de algumas crises, eles serão a insignificância das notas de rodapé da história. Poucos reparam que os ditos nasceram de cima para baixo, a partir da respectiva colocação na hieraquia do estadualismo que os decretou como pensadores oficiosos e vacas sagradas. Prefiro colocá-los definitivamente na minha zona de desprezo, lado a lado com outros protagonistas da suprema burocracia inquisitorial. Os “betos” estão à espreita destes cadáveres adiados que procriam retórica, os “jotas”, sedentos de uma aliança com os mesmos, e os controladores sociais das forças vivas julgando que, afinal, vai virar o disco para que a máquina que nos destruiu continue a tocar o mesmo. PS: A imagem que reproduzo foi tirada neste meu permanente lugar de exílio. É de uma selvagem e terna criatura, nascida há dias por entre o mato das redondezas. Espero que este sinal de esperança não seja caçado nos começos do Outono.

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