De Santana a Cavaco

Como alguns já devem ter notado, passei a aprendiz de algumas das novas redes sociais, como o “facebook” e o “twitter”, quando me convenci que os mesmos não eram apenas daquelas modas que não passam de moda. Evidentemente, o hábito não faz o monge, isto é, o meio não muda o essencial da mensagem e terei inevitavelmente o defeito dos blogueiros, ou melhor, terei os mesmos vícios que transporto para este blogue, isto é, continuarei a trilhar a travessa do fala-só, mesmo quando posso dar aulas através destes novos meios de comunicação social. Contudo, ainda utilizo os velhos sistemas e sou chamado a prestar meu depoimento a jornais, rádios e televisões.

 

Ainda hoje, a agência Lusa traz declarações minhas, tal como ontem. Aqui as reproduzo, com o lapso e tudo. Esta semana era do ICS, na passada, do ISCSTE, quando, efectivamente, sou da velha Escola Colonial que, por enquanto, começa também por I, mas como nesta até já um tal de Mendes Corrêa dá nome a prémio de politologia, não pode haver confusão que resista.
«O Santana percebeu que o poder tem que se conquistar pela via própria e aceitou ou teve que aceitar a chefia do governo sem ser pelo seu próprio esforço e acabou por ser vítima ou propiciar a utilização da bomba atómica da dissolução pelo Presidente Sampaio e agora voltou ao que sempre fez: a conquista do terreno, devagarinho, pelo seu próprio pulso», considerou o professor do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa Adelino Maltez. Para o académico, Santana Lopes é «um ´homo partidarius´», um «político profissional» que «precisa da política para conquistar o seu lugar ao sol», mas de quem a própria política também precisa, sendo nesse sentido um caso comparável aos do líder do CDS-PP, Paulo Portas, e do primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates.
«O Portas, o Santana e o Sócrates são três galos para o mesmo poleiro, homens de grande engenho, que aguentam vitórias e derrotas, fortunas e infortúnios e, portanto, têm os três o mesmo tipo de postura. O Portas e o Santana têm a vantagem que já perderam. O Sócrates vai de vitória em vitória e não o experimentámos ainda em derrota», considerou.De resto, o politólogo compara Santana Lopes a «um tsunami» que «permitiu que o PS tivesse uma maioria absoluta com Sócrates» e fez agora «antecipar a corrida à sucessão» do próprio líder socialista.
«Estes ensaios políticos de António Costa são uma colocação no terreno como sucessor de Sócrates se este não tiver a maioria absoluta. E o Santana mais uma vez está nesta base», defendeu.Ultrapassado o «grande erro» de ter aceite chefiar o executivo do país «por outorga de outrem», Santana Lopes está agora a «refazer o seu percurso» tendo como ponto de partida as conquistas políticas que chamar a si, nomeadamente «a vitória na Figueira da Foz e a vitória em Lisboa contra tudo e contra todos».
O politólogo do ICS prevê, por isso, que a disputa pela presidência do município de Lisboa vai ser «uma boa luta política» entre dois «militantes pós-abrileiros, já nascidos com maturidade para a política depois do 25 de Abril», dois políticos «muito bons» que «se estimulam mutuamente»
Já onte, no mesmo sítio, sobre Cavaco:
Apesar de advogar que “cada um é juiz é causa própria”, o professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Adelino Maltez considerou também não existirem sinais de que os 70 anos de Cavaco Silva estejam a condicionar o seu mandato.

“A pátria tem 800 anos, já houve candidatos de 80, por isso, de acordo com os actuais parâmetros, um Presidente com 70 anos está com plena vitalidade e maturidade, até mesmo com 75 anos”, declarou.

Além disso, acrescentou, “a própria função de Presidente da República implica maturidade, experimentação”, principalmente num país como Portugal, onde “sabiamente” há uma repartição entre quem tem o poder e quem tem “a chamada autoridade”.

E, lembrou, no tempo dos romanos “quem tinha a autoridade eram precisamente os mais velhos”, os senadores.

“A função do Presidente da República é a de ser o garante do normal funcionamento das instituições, alguém que tem algum poder moderador e autoridade”, continuou, sublinhando que são precisamente essas características que têm dado confiança aos portugueses.

Quanto ao futuro, Adelino Maltez salientou o “papel fundamental” que Cavaco Silva irá desempenhar se o Governo que sair das eleições de 27 de Setembro não tiver maioria absoluta.
“Vão ser dois anos muito intensos”, disse.

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