Quem assim se enclausura face aos grandes problemas do nosso tempo, continua vergonhosamente só

Os nossos noticiários de política internacional continuam a ser dominados por transcrições em calão dos despachos das grandes agências internacionais. Salvo quando um hierarca do situacionismo vai dar uma volta e carrega, no avião, uns convidados, nesses provincianos passeios de propaganda doméstica. .
Em dia de funeral festivo de Jackson, Obama estava em Moscovo. Ambos já felizmente saíram da Cabana do Pai Tomás… Barroso, porque não tem armas nucleares para negociar, apenas pode ir a Moscovo fazer discursos e comprar água quente. Hu Jintao não vai ao G8 nem vem a Lisboa. O imperial-comunismo que resta tem Uigures turcófonos em revolta. Falem com Ankara. E não há sequer um repórter que ligue às eleições presidenciais da Indonésia. E que tal a integração de Portugal nos Estados Unidos do Brasil, como propunha Agostinho da Silva…

Preferimos os pormenores articulados do chamado código da estrada, os quais, quando não cumpridos podem levar a mortes. Especialmente numa cidade onde perdemos o sentido das regras, por tantas regras sem sentido que os poderes instalados vão aplicando apenas por causa do financiamento do erário municipal, através das multas da Dona Emel… Preferimos reparar como o relatório da CPI sobre o BPN segue o diapasão de uma qualquer sanfona do situacionismo, em candidatura autárquica.
Mas também é verdade ser preciso lançar âncora num qualquer lugar que nos dê fundura de casa, para que, a partir desse situado das circunstâncias, possamos aceder ao transcendente. Nessa raiz do mais além, a vida pode ser mais vida se olhar de frente a finitude, mesmo que seja o mar sem fim do Atlântico. Contudo, a minha cosmopolis, ou república universal, congratula-se com a recente encíclica papal, reclamando uma autoridade política mundial no respeito pelo princípio da subsidiariedade. É urgente a aliança de homens de boa vontade e o regresso aos fundamentos universais do ocidente, isto é, a conjugação do humanismo cristão com o humanismo laico. Este é um dos lugares comuns que permite o diálogo e a saudade de futuro. Chama-se abraço armilar e faz parte do sinal manuelino da nossa identidade. Foi amplamente descrito por Luís Vaz que não tinha um olho e gostava mais da contra-utopia que descreveu no canto IX do seu livro mais conhecido.

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