Ago 05

A grande tacada do cavaquismo sem Cavaco, uma reportagem íntima quase em directo

Ontem, ainda a tarde ia alta, quando começaram a chegar as novas do PSD. Constava que o primeiro passo para a renovação maneleira tinha a ver com Maria José Nogueira Pinto, por Lisboa. A direita é ela. Tem razão quem ganha. Vivam os homens e as mulheres de sucesso!

Pediram-me, então, um comentário para o DN. Arrisquei: “Manuela Ferreira Leite não repetiu Rangel e preferiu o estilo Vital. Julgando poder vencer com tantos autogolos socráticos, e parecendo esquecer-se que o árbitro não pode jogar nem ser treinador, deixou que voltasse o velho PSD das fugas de informação a conta-gotas, para gáudio das análises domingueiras de Marcelo”.

“Por outras palavras: a renovação confunde-se com as verdades de Deus Pinheiro e Couto dos Santos e a grande aposta é Maria José Nogueira Pinto, num regresso daquela filha pródiga, ex- subsecretária de Estado do actual candidato aos Paços do Concelho, depois de começar, em democracia, como conselheira do CDS de Adriano Moreira, para voltar a ser do CDS como deputada, e embaixadora de Jaime Gama, em sucessivas e curtíssimas travessias do deserto”.
“É evidente que a quota de Pedro Passos Coelho desapareceu, uma excelente nova para quem aposta naquele médio prazo que pode ser a confirmação das mais recentes sondagens, com Manuela a acompanhar Sócrates na impossibilidade de um acordo interpartidário, mas com os santanistas a conseguirem algumas lanças em Portugal e nos Algarves”.
“Sem as trapalhadas do caso Joana Amaral Dias, o PSD parece animar-se com uma versão soft de uma grande coligação do pintasilguismo de direita com o ritmo dos nossos brandos costumes pós-berluconianos. Pelo menos, tem genealogia correcta, paridade excelsa e não corre riscos. Conserva o que está, mesmo que não deva ser”.
Logo a seguir fui à SIC N, assumir esta posição. E voltei a esse ambiente de verdadeira revolução dos homens e mulheres sem sono, como a noite de 11 de Março de 1975, ao contrário… Reparei que tudo era como a pescada: antes de o ser já o era.

Porque, depois da tuítica demitir Pinho, o maneleirismo era, quase miniuto a minuto, tuitado. Quais bloconfs, quais carapuças? Era o fim da picada! Ainda tentei encontrar o “ tweet” do Pacheco Pereira. Mas tudo parecia mais um golpe do José Magalhães, o próprio. Porque tudo ia muito além do “Magalhães”, o instrumento. Era um verdadeiro golchok tecnológico.

Eis a madrugada anarcotuítica do PSD! Nem o Paulinho Portas no tempo do “Tempo” de Nuno Rocha, que era ao retardador. Muito se prometia!

Entrei em provocações. Junto de um ex-CDS, que estava irritado, lancei: “Zezinha é a direita, e a direita é a zezinha… Logo, se a zezinha é a direita, eu sou de extrema-esquerda…Ela é uma sucessão de situacionismos: adrianista, cavaquista, popularista, monteirista, antimonteirista, portista, antiportista, costista, maneleira. Pode até vir a ser apoiada pela Rua Direita”…

E junto de um alegreiro, militante do Simplex, previ que talvez nenhum dos irmãos-inimigos (Sócrates e Manela) chegasse a primeiro-ministro quando começasse o cair da folha…Porque surgiria um chefe do governo do PS ou um PSD, conforme os resultados eleitorais, retomando a tradição da dança de concentração partidária do estertor do rotativismo no século XIX. Logo, Manela não poderia repetir o bisavô, José Dias Ferreira, o tal que lixou o Joaquim Pedro de Oliveira Martins, ao aceitá-lo como ministro da fazenda, por pressão do Paço, mas levando-o à frustração em poucos meses.

Aliás, a grande coligação que Cavaco foi estagiar à Áustria pode meter ministros do PC e do CDS. E acrescentei duas hipóteses de primeiro-ministro desse novo governo provisório: Alegre e Passos Coelho.Porque, como dizia Fernando Pessoa, vencer é ser vencido…

Também reparei que Costa e Seguro já correm para a sucessão de Sócrates…E que, no PSD, como o ausente-presente ainda está no activo, têm de pedir-lhe autorização antecipadamente…

Claro que estava apenas a exercitar a “provocatio ad tuiticum”… Porque imaginar pode levar a rir, que é o melhor remédio. E não sabia se o ausente-presente já tinha mandado. Sabia apenas o resultado das listas…que parecia comissão de honra da respectiva candidatura!

Havia, contudo, quem defendesse Manela, dizendo que as pessoas das listas pouco interessavam. Comentei: mas há quem não queira passar um cheque em branco. E muitos outros que desconfiam, não da falta de cobertura, mas da evidente cobertura nominativa. É mais do que gato escondido com o rabo de fora. É gatarrão preto bem visível.

Concluí: “Passos” Coelho é o grande vencedor da noite laranja. “Passou” a ter futuro, se falhar este cavaquismo sem Cavaco…

Mas o povo é quem mais ordena. Até reparei que Otelo apoia expressamente Isaltino de Morais…