Ago 06

Não pronuncie nomes como ManelaFL e JSocrasPS. Vá de férias e leia Zweig

Quem gostar mesmo de política, deve evitar pronunciar nomes como os de MFL e de JSPS, especialmente nesta ressaca das listas, cujas trapalhadas mostram como PS e PSD são mesmo o espelho desta partidocracia que nos enreda em quezílias de mau gosto. Aliás, a última vez que votei PSD foi com Sá Carneiro. Entre cainesianos da esquerda menos e cainesianos da esquerda mais, prefiro resistir liberal, não dando para esse peditório de governos de esquerda com temperamento de direita, plenos de fantasmas e preconceitos.

Daí que tenha entrado noutras interacções. Leio, de Stefan Zweig, “A Morte de Cícero”: “para um intelectual não existe felicidade maior do que ser excluído da vida pública, da vida política”. Porque “todas as formas de exílio, para o homem de pensamento se tornam espora para profunda reflexão” (Zweig, sobre Cícero).
Porque um político pode assumir a “res publica” como vive a “res privata”. Pondo esta acima daquela, isto é, acabando com razão de Estado… Melhor: subordinando a razão de Estado a um Estado-razão, o principado à república… Cícero, sempre! O Cícero de Stefan Zweig: que “combateu em Catilina a anarquia, em Verres a corrupção, nos generais vitoriosos a ameaça da ditadura”.
Há os que querem conservar o que está. E os que querem conservar o que deve-ser. Os reais conservadores, isto é, pós-Burke, vieram depois dos progressistas e dos revolucionários… Porque a revolução mentiu!
A revolução é nostalgia de voltar atrás, à pretensa pureza primitiva, imaginada pela falsa ciência. O conservador, coisa diferente do reaccionário, quer apenas uma revolução evitada (Arendt). Mas também há utopistas do passado, alguns conservadores da secção tradicionalista, como girondinos ou ecologistas à velho PPM. Apenas existem para provocação ao presente, malhando nas degenerescências…
Nunca houve conservadores à Burke em Portugal, à excepção de alguns vintistas e mindeleiros. Ou melhor: foram todos instrumentalizados pelos reaccionários e pelos vanguardistas. Por mim, não quero perder mais uma vez em Alfarrobeira! Porque tão conservador é Alegre, à procura do Manuelinho de Évora, contra os ministros do reino por vontade estranha, como um outro que diga que D. Sebastião não morreu. Como eu. Porque ainda falta o Quinto Império do poder dos sem poder…
Ser conservador é continuar a escrever o livro do desassossego. Que os autênticos, persistam na procura! Mas contra todos os absolutismos. Os do Estado Moderno e os do povo absoluto, entre Luís XIV e Robespierre, contra pombalistas e jacobinos. Porque até a virtude precisa de limites (Montesquieu)
Eu cá ainda digo que sou conservador, mas do que deve ser, mesmo quando o não estou, por me assumir contra o conservadorismo do que está. E sendo e não estando é como normalmente sou.