Ago 07

Entre Pacheco a fotografar, em plenas listas maneleiras, e Karl Marx fotografado, aqui em casa

Ontem não vi o Jerónimo e também ainda não espreitei o “antimaneleirismo” de Marcelo e Mendes. Bastaram-me as equívocas expressões de Morais Sarmento e o artigo de Paula Teixeira da Cruz no “CM” de hoje. Bem como as sucessivas declarações de Carreiras, o presidente da distrital de Lisboa, que passou a ter o meu respeito, por revelar uma firme concepção do mundo e da vida, apesar de, aqui, o ter fortemente criticado na primeira queda de informações sobre a lista que propôs, onde nem constava o Zé Correia, apesar de ter preferido Pedro Lynce a Martins da Cruz. Só que Manela é um Cavaco de saias, mas em caricatura temperamental. Não vai ler, não vai ver, não vai ouvir e até agradece esta redução da institucionalização de conflitos dentro da sua malinha de mão. Continuará de silêncio em silêncio, até fazer companhia a Sócrates, mas não na Universidade Atlântica. Já tem o estatuto formal de aposentada.

 

 

Perante a agressividade viral do ambiente, Manela tira o lenço, assoa-se, qualifica os interpelantes como pessoas que a estão ofender e volta a detestar tudo quanto é política, especialmente os políticos que não percebem nada de finanças, mesmo que gostem de crianças, como Pessoa dizia de Jesus Cristo. As epístolas das Novas Escrituras estão nos argumentários, meio autorizados, do “Jamais”…

 

 

Já Manuel Monteiro, com quem, outrora, me cruzei em coincidências e divergências partidárias, e a quem continuo a prezar, voltou à agenda da ribalta comunicacional, como candidato a deputado pelo Minho. Em nome da moralização da política retomou a senda da denúncia do que, há anos, qualificou como sanguessugas… Por isso é que nunca fui do Partido Popular, que ele fundou com outras criaturas e criadores.

 

 

Monteiro veio exigir que candidatos a deputado, que receberam do povo subsídios de reintegração, os devolvam. Se isso corresponder aos factos e mesmo que os pormenores da lei o não prevejam, importa activar o mínimo ético da coisa pública, para que alguns dos senhores deputados não voltem a merecer a metáfora célebre…

 

 

Há também excelsos ex-deputados e ex-ministros, habituais nos discursos moralizadores, que, de forma oportunista, saltaram de seus empregos públicos bem antes do tempo da idade limite, para beneficiarem de manás que, felizmente, já foram revogados por São Bento, se calhar com o voto dos próprios.

 

 

Há acumuladores eméritos e distintos conselheiros que, no público, continuam activismos reais, recebendo em conformidade e fazendo carreira depois de se terem desencarreirado, só porque passaram a ganhar bem mais do que teriam, se continuassem no sítio, até aos 70 anos. Assim puderam manter o sítio e mais lugares, pelo que seria curioso pedir-lhes o sentenciador sobre seu próprio caso. Que Monteiro aí não se inspire!

 

Para homenagear Pacheco Pereira, na foto que encima este postal, também eu fui à parede do meu escritório. Sim! Tenho o Karl, o D. Sebastião, António José de Almeida, alguns outros e muitas naus. Um dia mostro. Não tenho o São Tomás, porque nenhuma imagem é original. Por isso, prefiro Aristóteles. Mas tenho o São Francisco de Assis. Mas muitos em barro, que é o da minha devoção panteísta. Tenho o Karl, mas gosto mais do Espinosa e do Jean-Jacques…

É a resposta que a certas provocações ortodoxas, face ao heterodoxo e ao paradoxo. Não! Não é como um dia disse alguém dos bustos que eventualmente teria em casa. O tipo até foi a director-geral socrático e não chegou a ser convidado pela Manela para a lista. Foi substituído pela Zezinha…

Ago 07

Vou agora à tipografia, saiu do prelo o 1º volume…

Biografia do Pensamento Político, I. Só até 1820, o primeiro volume. A capa dizia Lisboa 2008. Quando foi concluída a primeira revisão, em Timor. Deve ler-se, agora, “Lisboa, ISCSP, 2009″. Graças a muitos males, o volume único previsto e contratado por palavras de honra, com acrescentos e revisões do autor, reproduziu-se em dois: um até 1820, outro de 1820 aos dias que passam. O editor é a minha escola, sobre a qual ainda não digo nada. Nem aqui nem lá. Embora desde o dia 4 de Agosto p. p. já tenha o direito de dizer o que penso, para poder continuar a viver como penso, sem pensar muito como depois irei viver. Na escola e por palavras de honra que é coisa raramente casada com a inteligência. A concepção da capa é da Ana, que ousou captar a razão inteira, numa analogia biológica. Também vivemos como pensamos, quando somos, que é o que normalmente somos. E como sempre lembro a Maria Luiza, a Joana, a Filipa e o Francisco, bem como a Nanda e o Vítor. Os sete nomes da minha tribo de resistência. E agradeço à malta da Europa-América, a cooperação estratégica. É o primeiro livro que fui revendo pela Internet, do outro lado do mundo.