Na esquina de Belém com a Junqueira, espiões à solta e Medina à Carreira

Leio o Público: “o clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação e a dúvida que se instalou foi a de saber se os serviços da Presidência da República estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva estão a ser vigiados,… confessou um membro da Casa Civil do Presidente.” Para mim, quando estou em Lisboa, para os vigiar, basta vir tomar café aqui, no fim da Rua da Junqueira…

Ao contrário de Sampaio que, por vezes se passeava na rua, Cavaco, nunca o vi, a não ser blindado. Já os assessores deste, andam muito pelas tascas das redondezas, salvo o Espada. Conversam em serena algazarra e metem conversa. Um é meu ex-aluno, outro, colega, e um terceiro, companheiro de conferências. São discretos. Ao contrário das bocas que ouvia no tempo de Sampaio, de fazer tremer o regime, e em plena comedoria de almoço…
Por outras palavras, de Cavaco, gosto mais dos assessores sem gume que do assessorado. De Sampaio, mais do dito do que dos desbocados de tasca. E na esquina da Junqueira com a calçada da Ajuda, estamos bem habituados às manobras visitadoras de jornalistas e politiqueiros. Se eu os fotografasse, dava capas e capas sensacionalistas, especialmente com “opinion makers” insuspeitos, apanhados em passeios com os ditos…
O homem do presidente que levantou a hipótese de um Watergate à moda dos pastéis teme estarem os belenenses sob vigilância. Como os tais presidenciais sabem melhor do que eu o que é isso de vigilância e como parece que não exista polícia política, as suspeitas encaixam que nem luva branca nos nossos espiões do interior…
As especulações recaem imediatamente no pé de galo mais secreto da mesa governativa e aguarda-se, com expectativa, o próximo discurso de Alberto João sobre a matéria, não sendo de excluir mais uma conferência de imprensa de Carlos César, em resposta à nota…
Interrogada sobre o assunto, Manela Ferreira Leite, aos costumes, disse nada, gerindo silêncios com a angústia da contabilista, enquanto Sócrates, enlagostado, remeteu a sua consciência para os futuros comentários do blogue Jugular…
O BE também se escusou. Não revela fichas de segredo profissional constantes do futuro “Dicionário do Bloco Central” que está a ser coordenado pelo Professor Doutor Fernando Rosas, em parceria com o Professor Doutor Boaventura Sousa Santos…
Paulo Portas também não viu, não leu e não ouviu. Estava numa feira, reunido com os activistas do “31 da Armada”. Estes foram protestar contra a coligação santanista de Lisboa, por esta incluir um tal fotografado com o siciliano Poidamini, ou lá o que é…
Só Jerónimo de Sousa partiu os dentes à reacção, como o costume, protestando contra a linguagem anticomunista da insinuação sobre os saneamentos do “Diário de Notícias”, levados a cabo pela fundação da Casa dos Bicos, mais acrescentando que… concorda com as porpostas de Medina Carreira, na última entrevista à SIC Notícias:
“Portugal de hoje é um grande BPN… Os ministros ou são papetas ou desonestos… A sujidade incomoda-me…São sete mil milhões de euros só para juros e desemprego por ano, tanto quanto gastamos em educação.
O programa do PS é à moda antiga, só conversa fiada. Não tem lá nada que preste. Há só 50 mil ricos para dois milhões de pobres. Importa saber quem é rico e onde ele põe o dinheiro. Só atamancam a crise. Importa atrair investimentos para podermos exportar. Em 2007 foi quando mais nos endividámos.
São todos papagaios. Punha o Silva Lopes a fazer um inquérito em três meses. Os grandes negócios do Estado estão todos sob suspeita e continuarão sob suspeita. Os deputados não fazem ideia das leis que fazem. A coisa que entusisasma mais os partidos é o dinheiro.
De 2000 a 2015 poderemos endividarmo-nos dez vezes mais. Nós não podemos confiar nestes políticos. No PSD há não sei quantos que andam a ministerializar-se. A Assembleia da República e as listas não interessam para nada. Há cinco ou seis candidatos relevantes, o retso é claque…”.
Medina gasta-se pelo mau uso e pelo abuso. Nem para tempo de antena será usado. Paulo Mota Pinto escreve de outra maneira. A estória dos homens do presidente tem o nível de Vitalino Canas. Parece muito, mas não diz nada.

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