Os palácios da vigilância

OS PALÁCIOS DA VIGILÂNCIA

José Adelino Maltez

O processo de campanha em curso parece enredar-se em tragicomédias de ritmo revisteiro, desde a bandeira do “31 da Armada”, que tão sibilinamente demonstrou que o riso pode ser uma suprema forma de inteligência. Agora terá sido um dos “homens do presidente”, portando voz oculta, para fazer meteorologia psicológica sobre a consternação e a dúvida que se instalou entre Belém e São Bento. E logo se levantou a hipótese de um “Watergate” à moda dos pastéis, com requintes de vigilância. Mas como parece não existir polícia política, as suspeitas encaixam que nem luva branca nos nossos espiões do interior, e as especulações recaíram imediatamente no pé de galo mais secreto da mesa governativa… Mas Sócrates logo disse não “perder tempo a comentar disparates de Verão”, enquanto Vitalino Canas, acusado de conspiração maçónica contra Cavaco,  recusou “comentar fantasmas”. Já Aguiar Branco, elevado a voz autorizada do PSD nos incêndios do costume, também desmentiu “categoricamente” que o mini-programa tenha contado com gente belenense.  Não convém dar dimensão de análise a esta caricatura de teoria da conspiração. Vale mais a sátira. Que M. F. Leite não foi interrogada sobre o assunto e aos costumes sempre diria nada… E até será de imaginar uma escusa do Bloco, por não querer revelar fichas de segredo profissional, a constar do futuro “Dicionário do Bloco Central”, que talvez esteja a ser coordenado por Fernando Rosas…  Paulo Portas também não viu, não leu e não ouviu: estaria reunido com a respectiva secção monárquica e carbonária, protestando contra a a inclusão na frente santanista de Lisboa de figuras do PPM que visitam Poidimani. E Jerónimo, preocupado com a linguagem do anticomunismo primário, ainda espera que Saramago vá à festa do Avante…

 

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