Ago 13

Um povo unanime numa opiniao ou num habito nao seria povo, seria rebanho

Pedem-me breve comentario politico para um jornal de amanha. Aqui o deixo:

Os eleitores nao escolhem governos, mas deputados, onde os governos nascem da interpretacao que o presidente e obrigado q fazer dos resultados eleitorais. Muito menos escolhemos primeiros ministros. Esta foi uma doenca provinda das mqiorias absolutas e das consequentes personalizacoes do poder…

O PS e o PSD sao as faces da mesma moeda do situacionismo bonzo e da respectiva coligacao com as forcas vivas dominantes na economia e na moral. PS e PSD tem programa ideologico para eleitor ver, mas depois metem o programa na gaveta e actuam em pragmatismo, de acordo com as pressoes da casta banco-burocratica que domina as comissoes de honra das respectivas candidaturas presidenciais e a quem eles vao distribuindo comendas e encomendas, dentro do rotativismo, com alternancias, mas sem alternativas, por mais endireitas e canhotos que recrutem a retalho.

Este governo socratico foi aquilo que Maritain qualificou como um fraco governo de esquerda com mentalidade de direita. Agora faz teatro de viragem a esquerda porque 20 % da opiniao se diz comunista ou dos herdeiros da extrema esquerda

O eleitorqdo tende a nao dar a maioria absoluta a nenhum deles. Socrates vai metendo golos na propria baliza e Manuela a dar tiros nos pes. O presidente ja o percebeu e foi a Austria estagiar a grande coligacao. Mas o povo e que vai ditar o processo. Ate pode haver uma maioria de esquerda para entrarmos em contraciclo definitivamente. O mais provavel e encerrarmos este ciclo politico e passarmos a uma era de incerteza… que e aventura, risco e pode levar a que a democracia mostre as suas potencialidades e alguma criatividade

Essa da governabilidade de longo prazo era o sonho da via mexicana de Soares… Mas governabilidada sem participacao e ditadura e o mais estavel dos governos foi o de Salazar. Democratizarmos este modelo, mesmo que seja copiando a Primeira Republica, com o seu partido-sistema e podermos por o povo contra a democracia e este sistema partidocratico contra o regime.

A diversidade nao exclui a unidade em coisas vivas e complexas como e um povo. Como diria Pessoa, um pais unanime numa opiniao ou num habito nao seria povo, seria rebanho

Ago 12

Depoimento JN

Estratégia socialista passa por encostar PSD ao passado

Atacar Direita para pescar à Esquerda


2009-08-12

ANA PAULA CORREIA

Nas últimas eleições europeias, PCP e BE tiveram mais de 20% dos votos. É este o quadro político que determina a estratégia de “ou o PS ou Direita” que Sócrates revelou no artigo publicado ,ontem, terça-feira, no JN, e que, segundo politólogos, é inevitável.

O discurso centrado na ideia de que ao eleitorado só resta escolher entre o PS ou o regresso ao passado da Direita mais conservadora já vinha a ser ensaiado por José Sócrates, ainda como primeiro-ministro, logo que foi conhecida a derrota do partido nas europeias de Junho. O PSD foi a força política mais votada e à Esquerda concentrou-se uma inédita percentagem de votos. Para conseguir formar Governo, mesmo sem maioria absoluta, o PS precisa reconquistar votos à Esquerda. Foi isso que, segundo o politólogo, António Costa Pinto, do ISCTE, fica claro no artigo de Sócrates.

“É difícil ao PS ter outra estratégia eleitoral no actual quadro político, que não seja a de encostar o PSD à Direita ultra-liberal e de tentar mostrar que à Esquerda não há alternativa”. E ainda na opinião de Costa Pinto, é essa a razão pela qual o programa eleitoral socialista põe o acento tónico nas propostas de apoio social.

“Por isso é que Sócrates dramatiza ao sublinhar a clivagem entre o Estado Social, de Esquerda, e o ultraliberalismo passadista do PSD, da Direita. Só pode ser este o discurso, não há alternativa para tentar pescar votos à Esquerda. Falta saber se vai ter os resultados desejados pelo PS”. É uma certeza e uma dúvida que o polítólogo deixa no ar. Até porque o líder do PS que escreveu no JN um artigo recheado de palavras e de conceitos de Esquerda é, simultaneamente, o primeiro-ministro do Executivo que governa o país real, onde são pouco visíveis para muitos portugueses os efeitos do Estado social.

É por esta contradição que José Adelino Maltez pega para comentar as palavras de Sócrates, de quem disse usar dois heterónimos, “um, que fala ao eleitorado de Esquerda e ataca o liberalismo, e outro, que confessa aos empresários que os tempos não estão para ideologias mas sim para pragmatismo”. “Sócrates usa o discurso de Esquerda para conquistar votos e depois de conquistar o poder mete o socialismo na gaveta, como já fez antes, Mário Soares”.

Ao contrário do que possa indiciar a afirmação deste politólogo do ISCP, a crítica não se destina exclusivamente aos socialistas. Cavaco Silva, enquanto dirigente do PSD e primeiro-ministro, também não ficou imune a esta “falta de autenticidade”.

A visão de José Adelino Maltez é a de que “o centrão sempre disse o mesmo, ou seja, sempre fez apelo ao eleitorado de Esquerda, com promessas de medidas sociais. É o habitual bailinho do centrão”.

E é esta duplicidade dos políticos do chamado arco do poder é, segundo Maltez, um dos factores de desmotivação e descrença dos eleitores que se abstêm.

Ago 12

A falta de autenticidade do bloco centraleiro

Longe da santa terrinha, nem por isso deixo a cidadania das ideias. No Jornal de Noticias de hoje:
É por esta contradição que José Adelino Maltez pega para comentar as palavras de Sócrates, de quem disse usar dois heterónimos, “um, que fala ao eleitorado de Esquerda e ataca o liberalismo, e outro, que confessa aos empresários que os tempos não estão para ideologias mas sim para pragmatismo”. “Sócrates usa o discurso de Esquerda para conquistar votos e depois de conquistar o poder mete o socialismo na gaveta, como já fez antes, Mário Soares”.

Ao contrário do que possa indiciar a afirmação deste politólogo do ISCP, a crítica não se destina exclusivamente aos socialistas. Cavaco Silva, enquanto dirigente do PSD e primeiro-ministro, também não ficou imune a esta “falta de autenticidade”.

A visão de José Adelino Maltez é a de que “o centrão sempre disse o mesmo, ou seja, sempre fez apelo ao eleitorado de Esquerda, com promessas de medidas sociais. É o habitual bailinho do centrão”.

E é esta duplicidade dos políticos do chamado arco do poder é, segundo Maltez, um dos factores de desmotivação e descrença dos eleitores que se abstêm.

Ago 12

Saudades de carbonarios e traulitanios, contra os bonzos

Que saudades eu tenho dos sucessivos carbonarios e dos reais traulitanios, num tempo em que estao no poder as varias comissoes de honra das candidaturas presidenciais e os muitos comendadores, socraticos, maneleiros ou portiferos, assim todos postos em fila, para que nao sequem as torneiras do subsidio, da cunha e do “outsourcing”. Nem os publicanos sao os herdeiros de Machado Santos, que certos formigas bonzas mandaram assassinar em 1921, nem os monarquicos assumem o paladino Paiva Couceiro, das incursoes e das restauracoes, alias, logo desterrado pela salazarquia. Estava aliado em patriotismo e liberdade a Norton de Matos, que lhe vai prefaciar um livro africanista. Ate um dos chefes da Traulitania era Luis Magalhaes, o filho de Jose Estevao. Ate levou a tribunal, como testemunha de defesa a malta do 31 de Janeiro, com destaque para Basilio Teles. Facam queixinhas a Policia Municipal… e desculpem o teclado sem acentos…

Ago 10

Solnado, um pouco de nós morreu contigo

Solnado. Já foram escritas todas as frases do reconhecimento. É um pouco de todos nós que morre com ele. Melhor: que com ele entra no eterno. Ele apenas era o elo de uma linhagem que vem de Rafael Bordalo Pinheiro e que continua em todos que continuam sua procura.

Como disse a tua neta, deixaste um rasto de luz onde passaste. Como tu disseste, a tua vida foi saborissíma e o fiozinho que te prendia à vida, fez-nos todos teus filhos e teus netos. Tu foste o último Zé Povinho que eu conheci, depois do António Silva e do Vasco Santana. Outros virão e continuarão a ter o nome de Portugal!
Entrevista de Solnado, há cinco anos: “Eu tenho uma paixão imensa pela liberdade. Aliás, acho que o amor à liberdade já nasce com as pessoas e eu nasci com esse amor. Pelo que conheço dos portugueses, penso que, apesar de tudo, ainda existe uma imensa maioria que tem a paixão da liberdade e da democracia”.
“E depois temos por aí uns senhores que adoram dinheiro, gostam de coleccionar aquela porcaria. Se não estivéssemos na União Europeia a democracia já há muito estaria em perigo.”
“A mim, a crise económica não me afecta, porque nunca tive um projecto de fortuna, o meu projecto é de felicidade. E a tal paixão pela liberdade que sempre me acompanhou.”

Ago 07

Entre Pacheco a fotografar, em plenas listas maneleiras, e Karl Marx fotografado, aqui em casa

Ontem não vi o Jerónimo e também ainda não espreitei o “antimaneleirismo” de Marcelo e Mendes. Bastaram-me as equívocas expressões de Morais Sarmento e o artigo de Paula Teixeira da Cruz no “CM” de hoje. Bem como as sucessivas declarações de Carreiras, o presidente da distrital de Lisboa, que passou a ter o meu respeito, por revelar uma firme concepção do mundo e da vida, apesar de, aqui, o ter fortemente criticado na primeira queda de informações sobre a lista que propôs, onde nem constava o Zé Correia, apesar de ter preferido Pedro Lynce a Martins da Cruz. Só que Manela é um Cavaco de saias, mas em caricatura temperamental. Não vai ler, não vai ver, não vai ouvir e até agradece esta redução da institucionalização de conflitos dentro da sua malinha de mão. Continuará de silêncio em silêncio, até fazer companhia a Sócrates, mas não na Universidade Atlântica. Já tem o estatuto formal de aposentada.

 

 

Perante a agressividade viral do ambiente, Manela tira o lenço, assoa-se, qualifica os interpelantes como pessoas que a estão ofender e volta a detestar tudo quanto é política, especialmente os políticos que não percebem nada de finanças, mesmo que gostem de crianças, como Pessoa dizia de Jesus Cristo. As epístolas das Novas Escrituras estão nos argumentários, meio autorizados, do “Jamais”…

 

 

Já Manuel Monteiro, com quem, outrora, me cruzei em coincidências e divergências partidárias, e a quem continuo a prezar, voltou à agenda da ribalta comunicacional, como candidato a deputado pelo Minho. Em nome da moralização da política retomou a senda da denúncia do que, há anos, qualificou como sanguessugas… Por isso é que nunca fui do Partido Popular, que ele fundou com outras criaturas e criadores.

 

 

Monteiro veio exigir que candidatos a deputado, que receberam do povo subsídios de reintegração, os devolvam. Se isso corresponder aos factos e mesmo que os pormenores da lei o não prevejam, importa activar o mínimo ético da coisa pública, para que alguns dos senhores deputados não voltem a merecer a metáfora célebre…

 

 

Há também excelsos ex-deputados e ex-ministros, habituais nos discursos moralizadores, que, de forma oportunista, saltaram de seus empregos públicos bem antes do tempo da idade limite, para beneficiarem de manás que, felizmente, já foram revogados por São Bento, se calhar com o voto dos próprios.

 

 

Há acumuladores eméritos e distintos conselheiros que, no público, continuam activismos reais, recebendo em conformidade e fazendo carreira depois de se terem desencarreirado, só porque passaram a ganhar bem mais do que teriam, se continuassem no sítio, até aos 70 anos. Assim puderam manter o sítio e mais lugares, pelo que seria curioso pedir-lhes o sentenciador sobre seu próprio caso. Que Monteiro aí não se inspire!

 

Para homenagear Pacheco Pereira, na foto que encima este postal, também eu fui à parede do meu escritório. Sim! Tenho o Karl, o D. Sebastião, António José de Almeida, alguns outros e muitas naus. Um dia mostro. Não tenho o São Tomás, porque nenhuma imagem é original. Por isso, prefiro Aristóteles. Mas tenho o São Francisco de Assis. Mas muitos em barro, que é o da minha devoção panteísta. Tenho o Karl, mas gosto mais do Espinosa e do Jean-Jacques…

É a resposta que a certas provocações ortodoxas, face ao heterodoxo e ao paradoxo. Não! Não é como um dia disse alguém dos bustos que eventualmente teria em casa. O tipo até foi a director-geral socrático e não chegou a ser convidado pela Manela para a lista. Foi substituído pela Zezinha…

Ago 07

Vou agora à tipografia, saiu do prelo o 1º volume…

Biografia do Pensamento Político, I. Só até 1820, o primeiro volume. A capa dizia Lisboa 2008. Quando foi concluída a primeira revisão, em Timor. Deve ler-se, agora, “Lisboa, ISCSP, 2009″. Graças a muitos males, o volume único previsto e contratado por palavras de honra, com acrescentos e revisões do autor, reproduziu-se em dois: um até 1820, outro de 1820 aos dias que passam. O editor é a minha escola, sobre a qual ainda não digo nada. Nem aqui nem lá. Embora desde o dia 4 de Agosto p. p. já tenha o direito de dizer o que penso, para poder continuar a viver como penso, sem pensar muito como depois irei viver. Na escola e por palavras de honra que é coisa raramente casada com a inteligência. A concepção da capa é da Ana, que ousou captar a razão inteira, numa analogia biológica. Também vivemos como pensamos, quando somos, que é o que normalmente somos. E como sempre lembro a Maria Luiza, a Joana, a Filipa e o Francisco, bem como a Nanda e o Vítor. Os sete nomes da minha tribo de resistência. E agradeço à malta da Europa-América, a cooperação estratégica. É o primeiro livro que fui revendo pela Internet, do outro lado do mundo.

Ago 06

Não pronuncie nomes como ManelaFL e JSocrasPS. Vá de férias e leia Zweig

Quem gostar mesmo de política, deve evitar pronunciar nomes como os de MFL e de JSPS, especialmente nesta ressaca das listas, cujas trapalhadas mostram como PS e PSD são mesmo o espelho desta partidocracia que nos enreda em quezílias de mau gosto. Aliás, a última vez que votei PSD foi com Sá Carneiro. Entre cainesianos da esquerda menos e cainesianos da esquerda mais, prefiro resistir liberal, não dando para esse peditório de governos de esquerda com temperamento de direita, plenos de fantasmas e preconceitos.

Daí que tenha entrado noutras interacções. Leio, de Stefan Zweig, “A Morte de Cícero”: “para um intelectual não existe felicidade maior do que ser excluído da vida pública, da vida política”. Porque “todas as formas de exílio, para o homem de pensamento se tornam espora para profunda reflexão” (Zweig, sobre Cícero).
Porque um político pode assumir a “res publica” como vive a “res privata”. Pondo esta acima daquela, isto é, acabando com razão de Estado… Melhor: subordinando a razão de Estado a um Estado-razão, o principado à república… Cícero, sempre! O Cícero de Stefan Zweig: que “combateu em Catilina a anarquia, em Verres a corrupção, nos generais vitoriosos a ameaça da ditadura”.
Há os que querem conservar o que está. E os que querem conservar o que deve-ser. Os reais conservadores, isto é, pós-Burke, vieram depois dos progressistas e dos revolucionários… Porque a revolução mentiu!
A revolução é nostalgia de voltar atrás, à pretensa pureza primitiva, imaginada pela falsa ciência. O conservador, coisa diferente do reaccionário, quer apenas uma revolução evitada (Arendt). Mas também há utopistas do passado, alguns conservadores da secção tradicionalista, como girondinos ou ecologistas à velho PPM. Apenas existem para provocação ao presente, malhando nas degenerescências…
Nunca houve conservadores à Burke em Portugal, à excepção de alguns vintistas e mindeleiros. Ou melhor: foram todos instrumentalizados pelos reaccionários e pelos vanguardistas. Por mim, não quero perder mais uma vez em Alfarrobeira! Porque tão conservador é Alegre, à procura do Manuelinho de Évora, contra os ministros do reino por vontade estranha, como um outro que diga que D. Sebastião não morreu. Como eu. Porque ainda falta o Quinto Império do poder dos sem poder…
Ser conservador é continuar a escrever o livro do desassossego. Que os autênticos, persistam na procura! Mas contra todos os absolutismos. Os do Estado Moderno e os do povo absoluto, entre Luís XIV e Robespierre, contra pombalistas e jacobinos. Porque até a virtude precisa de limites (Montesquieu)
Eu cá ainda digo que sou conservador, mas do que deve ser, mesmo quando o não estou, por me assumir contra o conservadorismo do que está. E sendo e não estando é como normalmente sou.

Ago 05

A grande tacada do cavaquismo sem Cavaco, uma reportagem íntima quase em directo

Ontem, ainda a tarde ia alta, quando começaram a chegar as novas do PSD. Constava que o primeiro passo para a renovação maneleira tinha a ver com Maria José Nogueira Pinto, por Lisboa. A direita é ela. Tem razão quem ganha. Vivam os homens e as mulheres de sucesso!

Pediram-me, então, um comentário para o DN. Arrisquei: “Manuela Ferreira Leite não repetiu Rangel e preferiu o estilo Vital. Julgando poder vencer com tantos autogolos socráticos, e parecendo esquecer-se que o árbitro não pode jogar nem ser treinador, deixou que voltasse o velho PSD das fugas de informação a conta-gotas, para gáudio das análises domingueiras de Marcelo”.

“Por outras palavras: a renovação confunde-se com as verdades de Deus Pinheiro e Couto dos Santos e a grande aposta é Maria José Nogueira Pinto, num regresso daquela filha pródiga, ex- subsecretária de Estado do actual candidato aos Paços do Concelho, depois de começar, em democracia, como conselheira do CDS de Adriano Moreira, para voltar a ser do CDS como deputada, e embaixadora de Jaime Gama, em sucessivas e curtíssimas travessias do deserto”.
“É evidente que a quota de Pedro Passos Coelho desapareceu, uma excelente nova para quem aposta naquele médio prazo que pode ser a confirmação das mais recentes sondagens, com Manuela a acompanhar Sócrates na impossibilidade de um acordo interpartidário, mas com os santanistas a conseguirem algumas lanças em Portugal e nos Algarves”.
“Sem as trapalhadas do caso Joana Amaral Dias, o PSD parece animar-se com uma versão soft de uma grande coligação do pintasilguismo de direita com o ritmo dos nossos brandos costumes pós-berluconianos. Pelo menos, tem genealogia correcta, paridade excelsa e não corre riscos. Conserva o que está, mesmo que não deva ser”.
Logo a seguir fui à SIC N, assumir esta posição. E voltei a esse ambiente de verdadeira revolução dos homens e mulheres sem sono, como a noite de 11 de Março de 1975, ao contrário… Reparei que tudo era como a pescada: antes de o ser já o era.

Porque, depois da tuítica demitir Pinho, o maneleirismo era, quase miniuto a minuto, tuitado. Quais bloconfs, quais carapuças? Era o fim da picada! Ainda tentei encontrar o “ tweet” do Pacheco Pereira. Mas tudo parecia mais um golpe do José Magalhães, o próprio. Porque tudo ia muito além do “Magalhães”, o instrumento. Era um verdadeiro golchok tecnológico.

Eis a madrugada anarcotuítica do PSD! Nem o Paulinho Portas no tempo do “Tempo” de Nuno Rocha, que era ao retardador. Muito se prometia!

Entrei em provocações. Junto de um ex-CDS, que estava irritado, lancei: “Zezinha é a direita, e a direita é a zezinha… Logo, se a zezinha é a direita, eu sou de extrema-esquerda…Ela é uma sucessão de situacionismos: adrianista, cavaquista, popularista, monteirista, antimonteirista, portista, antiportista, costista, maneleira. Pode até vir a ser apoiada pela Rua Direita”…

E junto de um alegreiro, militante do Simplex, previ que talvez nenhum dos irmãos-inimigos (Sócrates e Manela) chegasse a primeiro-ministro quando começasse o cair da folha…Porque surgiria um chefe do governo do PS ou um PSD, conforme os resultados eleitorais, retomando a tradição da dança de concentração partidária do estertor do rotativismo no século XIX. Logo, Manela não poderia repetir o bisavô, José Dias Ferreira, o tal que lixou o Joaquim Pedro de Oliveira Martins, ao aceitá-lo como ministro da fazenda, por pressão do Paço, mas levando-o à frustração em poucos meses.

Aliás, a grande coligação que Cavaco foi estagiar à Áustria pode meter ministros do PC e do CDS. E acrescentei duas hipóteses de primeiro-ministro desse novo governo provisório: Alegre e Passos Coelho.Porque, como dizia Fernando Pessoa, vencer é ser vencido…

Também reparei que Costa e Seguro já correm para a sucessão de Sócrates…E que, no PSD, como o ausente-presente ainda está no activo, têm de pedir-lhe autorização antecipadamente…

Claro que estava apenas a exercitar a “provocatio ad tuiticum”… Porque imaginar pode levar a rir, que é o melhor remédio. E não sabia se o ausente-presente já tinha mandado. Sabia apenas o resultado das listas…que parecia comissão de honra da respectiva candidatura!

Havia, contudo, quem defendesse Manela, dizendo que as pessoas das listas pouco interessavam. Comentei: mas há quem não queira passar um cheque em branco. E muitos outros que desconfiam, não da falta de cobertura, mas da evidente cobertura nominativa. É mais do que gato escondido com o rabo de fora. É gatarrão preto bem visível.

Concluí: “Passos” Coelho é o grande vencedor da noite laranja. “Passou” a ter futuro, se falhar este cavaquismo sem Cavaco…

Mas o povo é quem mais ordena. Até reparei que Otelo apoia expressamente Isaltino de Morais…

Ago 04

Renovação em ritmo vital

Renovação em ritmo vital

Por José Adelino Maltez

Manuela Ferreira Leite não repetiu Rangel e preferiu o estilo Vital. Julgando poder vencer com tantos autogolos socráticos, e parecendo esquecer-se que o árbitro não pode jogar nem ser treinador, deixou que voltasse o velho PSD das fugas de informação a conta-gotas, para gáudio das análises domingueiras de Marcelo. Por outras palavras: a renovação confunde-se com as verdades de Deus Pinheiro e Couto dos Santos e a grande aposta é Maria José Nogueira Pinto, num regresso daquela filha pródiga, ex- subsecretária de Estado do actual candidato aos Paços do Concelho, depois de começar, em democracia, como conselheira do CDS de Adriano Moreira, para, depois, voltar a ser do CDS como deputada, e embaixadora de Jaime Gama, em sucessivas e curtíssimas travessias do deserto. É evidente que a quota de Pedro Passos Coelho desapareceu, uma excelente nova para quem aposta naquele médio prazo que pode ser a confirmação das mais recentes sondagens, com Manuela a acompanhar Sócrates na impossibilidade de um acordo interpartidário, mas com os santanistas a conseguirem algumas lanças em Portugal e nos Algarves. Sem as trapalhadas do caso Joana Amaral Dias, o PSD parece animar-se com uma versão “soft” de uma grande coligação do pintasilguismo de direita com ritmo dos nossos brandos costumes pós-berluconianos. Pelo menos, tem genealogia correcta, paridade excelsa e não corre riscos. Conserva o que está, mesmo que não deva ser.