Renovação em ritmo vital

Renovação em ritmo vital

Por José Adelino Maltez

Manuela Ferreira Leite não repetiu Rangel e preferiu o estilo Vital. Julgando poder vencer com tantos autogolos socráticos, e parecendo esquecer-se que o árbitro não pode jogar nem ser treinador, deixou que voltasse o velho PSD das fugas de informação a conta-gotas, para gáudio das análises domingueiras de Marcelo. Por outras palavras: a renovação confunde-se com as verdades de Deus Pinheiro e Couto dos Santos e a grande aposta é Maria José Nogueira Pinto, num regresso daquela filha pródiga, ex- subsecretária de Estado do actual candidato aos Paços do Concelho, depois de começar, em democracia, como conselheira do CDS de Adriano Moreira, para, depois, voltar a ser do CDS como deputada, e embaixadora de Jaime Gama, em sucessivas e curtíssimas travessias do deserto. É evidente que a quota de Pedro Passos Coelho desapareceu, uma excelente nova para quem aposta naquele médio prazo que pode ser a confirmação das mais recentes sondagens, com Manuela a acompanhar Sócrates na impossibilidade de um acordo interpartidário, mas com os santanistas a conseguirem algumas lanças em Portugal e nos Algarves. Sem as trapalhadas do caso Joana Amaral Dias, o PSD parece animar-se com uma versão “soft” de uma grande coligação do pintasilguismo de direita com ritmo dos nossos brandos costumes pós-berluconianos. Pelo menos, tem genealogia correcta, paridade excelsa e não corre riscos. Conserva o que está, mesmo que não deva ser.

Comments are closed.