Bela estátua ao menino Obama. Obrigado, senhor presidente Wilson!

Thomas Woodrow Wilson (1856-1924) foi um presidente norte-americano que queria acabar com o velho hábito das diplomacias de guerra as quais, segundo as suas próprias palavras, faziam dos povos e das províncias mercadorias de troca ou peões do tabuleiro de xadrez. Ele que, na campanha presidencial de 1912, se opusera à política intervencionista dos anteriores presidentes republicanos, desde o big stick de Theodore Roosevelt à dollar diplomacy de William Howard Taft, voltou a vencer as eleições de 1916, em nome da não intervenção norte-americana na Grande Guerra. Contudo, logo em 2 de Abril de 1917, declarou guerra a uma Alemanha de Weltpolitik, Realpolitik e Interessenpolitik, proclamando a necessidade do mundo ser safe for democracy. Depois da vitória dos republicanos nas eleições para o Congresso e apesar de ter sido nomeado prémio Nobel da paz em 1919, eis que não conseguiu que o Senado ratificasse os acordos de paz. Nestes termos, endereçou uma mensagem pessoal às duas Câmaras do Congresso em 8 de Janeiro de 1918

1º Tratados de paz após negociações à luz do dia, a fim de acabar com a diplomacia secreta;
2º Livre navegação em todos os oceanos, em tempo de paz e em tempo de guerra;
3ºTanto quanto possível, supressão de todas as barreiras alfandegárias;
4º Desarmamento, sempre que possível, sem ameaçar a ordem interna;

14ºCriação de uma Sociedade das Nações que assegure a independência política e a integridade dos Estados grandes e pequenos

Assumindo alguns dos legados do modelo kantiano de Paz Perpétua, influenciou, de forma decisiva o Pacto da Sociedade das Nações e o posterior modelo da carta das Nações Unidas, sendo precursor de algumas iniciativas do internacionalismo liberal da década que marcou o primeiro pós-guerra, nomeadamente do chamado Pacto Briand-Kellog, de 27 de Agosto de 1928. Gerou-se uma corrente que o maior jurista do século XX, Hans Kelsen, qualificou como Peace through Law. Dela me considero militante, tentando não consumir o charlatanismo de certas traduções em calão lusitano, celestializadas por discípulos de Morgenthau e pálidos imitadores de Kissinger e Talleyrand. Os que costumam mandar assassinar e depois lamentam o sucedido junto dos familiares das vítimas, justificando a pirataria em nome da gestão de penduricalhos…

Hoje, voltei a ouvir o velho Wilson. Chama-se Obama e disse: There will be times when nations – acting individually or in concert – will find the use of force not only necessary but morally justified. E acrescentou: instruments of war do have a role to play in preserving the peace. Porque, a non-violent movement could not have halted Hitler’s armies. Negotiations cannot convince al-Qaeda’s leaders to lay down their arms. Logo, os Estados Unidos must remain a standard bearer in the conduct of war para se diferenciarem from a vicious adversary that abides by no rules.

Estou pelo bem, contra o mal. Pelo direito contra os interesses. Pela paz com justiça. Viva o regresso ao idealismo, com força!

A linguagem do realismo político continua a mandar ler o idealismo pelo mero jogo das palavras demonizantes do pensamento binário que diz, da ideia pura de paz perpétua de Kant, o que muitos dizem do contrato social ou da vontade geralde Rousseau. Não percebem que nenhuma destas categorias quis representar uma concreta situação histórica que efectivamente tenha existido ou que venha a realizar-se, enquanto os homens forem homens e não bestas ou anjinhos.
Estas categorias sempre foram entendidas como elementos normativos, como exigências dirigidas à realidade, tal como a democracia ou o direito. Em nenhum tempo e em nenhum lugar houve ou haverá democracia ou Estado de Direito, mas isso não significa que eles não mobilizem as concretas realidades humanas num sentido da perfeição. Ai de nós, se não houvesse esse dever-ser, esse padrão que nos permite desenvolver para cima e para dentro (a estátua do menino parece que foi hoje inaugurada na … Indonésia).

Comments are closed.