Brandos costumes, bois amansados pelo jugo, balbúrdia dos insultos e o(a)s mizés em telhado de província

Apesar de chata, gostei da aula do Professor Aníbal. Mas gostaria bem mais de transmissão em directo da reunião que ele, depois, teve com o Sócrates, onde certamente foi tratada a situação grega de endividamento com a eventual inclusão da nossa seleccção nacional no futuro torneio dos PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Spaniazapatero), para efeitos de “ranking” negativo e de decisão em momentos excepcionais de desvario, sujeitos a contratos à força por ordem da comunidade internacional, através da circunspecta UE, com FMI por trás da cortina. Desde que houvesse relato radiofónico à antiga, com posteriores comentários do Rui Santos, sempre pela verdade desportiva dos meios electrónicos, contra os tipos do apito e das agências de taxas de juro, com liberdade de insulto, a partir da bancada e muito direito à indignação dos que pagam o bilhete…

Infelizmente, são outros os relatos da Câmara dos Deputados e ex-Ministros que são abaixo de Lordes e já não passam férias no Dubai: inimputável, palhaço, vendida a qualquer preço, esquizofrénico, aldrabice, trafulhice, tropa-fandanga, burrice. É tudo entre eles, o Estado são eles. Pensam eles. Praticam eles. Vale-nos que temos um povo com brandos costumes de bois mansos e em fila, a caminho do subsídio de reintegração, por acaso, o que mais assassinou figuras cimeiras do Estado no século XX. Temam a revolta dos mansos, dado que as respectivas armaduras começam a entrar em pontas surdas de indignação!
Contrapartidas, BPN, afundações, BCP, sucatas, escutas. Que, grão a grão, se vai enchendo o papo. Não o da revolta. Não o da indiferença. O do desprezo. Política não é Mizé contra o professor de filosofia do rito bracarense. Valia mais terem uma jantarada na Churrasqueira do Campo Grande, com bacalhau à moda de Terras do Bouro, que é província e paisagem para os capitaleiros.
Claro que em latim de Roma, o grande centro de conquista, a tal província, queria dizer “pro” mais “vincere”, coisa para vencer, ocupar, dirigir, incluindo com governadores-civis…
1908 (Rei e P. Real); 1918 (Presidente da República); 1921 (chefe do governo e fundador da República, mais outros); 1965 (chefe da oposição). Não somo à lista Camarate. Ainda por enquanto porque só provámos o assassinato de D. João VI, mais de um século depois. Não há outro país com mais “magnícidios” na Europa, nem com o ciclotímico consequente de quarenta e oito anos de paz dos cemitérios, mas com um ritmo quase anual de intentonas e golpes de reviralho, transformados em comunicados oficiais de suas excelências do estadão, sobre o ter sido evitada ontem mais uma alteração à ordem pública. Claro que não contei com Amílcar Cabral nem com Eduardo Mondlane…
Apenas somei factos. A passagem do laxismo dos brandos costumes para a “balbúrdia sanguinolenta” é como atravessar no século XIX o Pinhal da Azambuja. Remexido, Zé do Telhado e João Brandão são mais recentes que o Robin Hood…
O povo, o povo soberano, que naquele dia tinha nas mãos o ceptro da sua soberania, não é menos dócil do que os irracionais que recordamos. O dia que devia mostrar-se orgulhoso, é quando mais se humilhava; quando podia dispor dos destinos dos seus senhores, é quando mais vergava a cabeça sob o peso que estes lhe assentavam. Não é semelhante esta força inconsciente do povo à do boi robusto e válido, que uma criança dirige e subjuga? Forte como ele, como ele dócil, como ele laborioso, como ele útil, não vê que a mesma força que emprega no trabalho lhe poderia servir para repelir o jugo. Ou, quando vê, é quando o desespero e a fúria, o cegam e impelem a revoltas tremendas (Júlio Dinis, ou um liberal à antiga descrevendo um acto eleitoral do rotativismo devorista).

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