É um simpático pedaço do passado onde, como notário da república, não há nada para odiar…

Essas comparações históricas retrospectivas, nomeadamente com esse episódio da guerra dos Cem Anos, onde se inseriu Aljubarrota, não reparam, muitas vezes, como os portugueses que estiveram ao lado do rei de Castela contra o Mestre, serviam o contrato imposto pelo rei D. Fernando no Pacto de Salvaterra. Isto é, serviam os superiores interesses do Estado contra os rebeldes…

Aljubarrota não foi Portugal contra a Espanha. Foi a nova legitimidade da futura segunda dinastia, desencadeada pelos burgueses de Lisboa contra a feudalidade da formal rainda de Portugal, D. Beatriz, casada com o rei de Castela e com muitos do Portugal antigo ao lado. Sou pelos rebeldes, mas não sou parvo. O nosso exército só venceu porque integrava ingleses com direito a “pum”, a artilharia…

Jogámos na balança da Europa de então, escolhendo aliados, contra os adversários que integravam adversários cá de dentro. “Ficai sabendo que, entre os portugueses, alguns traidores houve algumas vezes”. Cito Camões, de cor… E acrescento que a designação de traidor só acontece se os que se levantarem contra os traidores vencerem…

Miguel de Vasconcelos também era formalmente um legítimo gestor dos negócios públicos antes de 1 de Dezembro de 1640. Tal como o conde de Andeiro, antes da revolta dos capitalistas e negociantes de Lisboa, comandados por Álvaro Pais…

2010 não é 1385 nem 1640, muito menos 1890, apesar do ambiente de Ultimato. Ainda não cantámos “A Portuguesa”. Temos Zé Manel em Bruxelas como governador e a mania das companhias majestáticas. Era melhor não haver estrondo, não nos compararmos com os grandes Estados e potências e não sofrermos com as teorizações do Estado Exíguo, julgando que ainda pode haver um imenso império colonial…

Estrategicamente, as principais potencialidades aparentes, as grandes empresas de regime, podem ser as principais vulnerabilidades. São zonas do poder do estadão mais apetecidas para ocupações e OPAs. Nunca as devíamos ter deixado crescer em concentracionarismo de recursos públicos…

Empresas de grande dimensão e até mesmo multinacionais, devemos ter ambição em criá-las, mas seguindo exemplo de Estados com a nossa dimensão: em parceria estratégica. Até com Espanha, se coincidirmos em interesses e salvaguardarmos a honra. 2010 não é 1640 nem 1383-1385. Aprendamos com holandeses, helvéticos e catalães. Tenhamos juízo!

E lá se foram nossas vuvuzelas e aqueles comentadores que falavam na crise do futebol europeu. O campeão mundial vai ser da União Europeia. Torço pelas Províncias Unidas e desejo que a Espanha chegue à final…Viva a Rainha! Viva o Rei! E saudações ao Uruguai que teve deputados nas nossas Cortes Vintistas… memória da colónia do Sacramento e de D. João VI!

Lá vou ouvindo Sampaio…É um simpático pedaço do passado onde, como notário da república, não há nada para odiar…Declara que está ali para não dizer nada, apesar de exercitar um ensaio de consulta psiquiátrica, a fim de “dramatizar” a necessidade de um compromisso que vá além das forças parlamentares…

Sampaio diz que quando foi presidente teve crises igualmente graves, como a das vacas loucas. Agora, regista, em todo lado há paredes e que se dissesse alguma coisa, todos os holofotes da comunidade internacional o podiam tresler…

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