Out 06

Daí que a Ditadura se tenha desbaratado plebiscitariamente

Daí que a Ditadura se tenha desbaratado plebiscitariamente: Carmona teve quase o dobro dos votos de todos os partidos concorrentes às eleições de 1925… Vale-nos que o regime actual já em 1975 tenha chegado a 6 231 372 contra os 1 800 000 recenseados de 1973! Só neste regime se perdeu o medo do povo!

Noventa por cento dos louvaminheiros de telenovela do comemorativismo oficioso, republicanóide, do dia de ontem, bem mereciam ouvir este hino da autoria do nosso D. Pedro IV, o plantador da lusitana liberdade contemporânea. O mesmo direi de muitos monarcóides que nem reparam no símbolo liberdadeiro do azul e branco. Muitas vezes, não é uma questão de fé, mas de simples ignorância, ou denegação da verdade!

Não há republicano honrado do nosso 1910 que não se assuma como herdeiro de 1820, da regência de Angra, de Passos Manuel ou de José Estêvão. O mal da I República, como o temia Guerra Junqueiro, foi abandonar o azul e branco. Não falo dos republicanos salazarentos, tomasianos, belenenses, sovietistas ou partidários de Saló.

Gostei da intervenção de José Pacheco Pereira sobre o 5 de Outubro no Palácio das Cortes. Mas continuo monárquico. O deputado do PSD foi justo e sentido quando falou na autenticidade de muitos republicanos durante a ditadura. Podia acrescentar que estavam de mãos dadas esses vivas à república com os vivas ao rei, ambos em nome da liberdade…

Basta assinalar que o último Congresso Republicano de Aveiro, para acolher a oposição monárquica ao Estado Novo, quando ele passou a chamar-se Estado Social, passou a chamar-se Congresso da Oposição Democrática. Não consta que muitos neo-republicanos ultrajacobinos da presente moda, vinda da extrema-esquerda totalitária, lá tenham estado…