Out 25

CAVACO, OU O PRECONCEITO DA ORDEM

CAVACO, OU O PRECONCEITO DA ORDEM

JOSÉ ADELINO MALTEZ

Quem se der ao lapidar esforço de comparar a presente pré-campanha presidencial com a de há um lustro, pode facilmente prever o que dois dos principais candidatos irão desenrolar discursivamente, onde os eleitores confirmarão o reflexo condicionado deste sucedâneo de monarquia, à procura do poder moderador perdido. Com efeito, depois de passar esta erupção do orçamento, tudo será um enorme tédio. Com efeito, nas grande políticas públicas, apesar da abundância de consultadorias internas e externas, da modernização da treta, da educacionologia, e de tantos especialistas em ramos de árvore, estrutura da folha ou respiração das raízes, poucos querem ousar compreender a floresta do estadão suicida, com muita banha e pouco nervo, muitos membros e pouco músculo. Aquilo que o re-candidato nos pode oferecer não passa de um crepúsculo mais suave de um sistema político que teme o risco, e continua marcado pelo preconceito da ordem. E lá virá, de vez em quando, mais uma estatística comparada das Europas confirmando o óbvio da falta de organização do trabalho nacional onde abunda a quantidade, mas continua péssima a tecelagem dos que deviam ver de cima e fazer crescer por dentro. Continuamos a padecer de um grave erro de teoria e de um vazio de ciência, com tanto “outsourcing” de traduções em calão. Bastava um pouco de criatividade, inteligência emocional e da tal compreensão da complexidade… Precisávamos de um indisciplinador, capaz de engenharia de sonhos!

Out 25

Apenas somos 2% da demografia europeia

Lá vem mais uma estatística comparada das Europas confirmando o óbvio da falta de organização do trabalho nacional quanto aos profissionais das nossas magistraturas, onde abunda a quantidade, onde não falta a qualidade, mas onde continua a ser péssima a tecelagem dos que deviam ver de cima e fazer crescer por dentro. Toda a gente vê tudo, menos o óbvio.

Na administração da justiça, tal como na educação ou na grande política, apesar da abundância de consultadorias internas e externas sobre sociologia jurídica, modernização da treta, educacionologia, de tantos especialistas em ramos de árvore, estrutura da folha ou respiração das raízes, poucos compreendem a floresta do estadão suicida, com muita banha e pouco nervo, muitos membros e pouco músculo.

Continuamos a padecer de um grave erro de teoria e de um vazio de ciência, com tantos doutorados em inutilidades, tantos milhões em turismo científico, tanto “outsourcing” em traduções em calões e cheques para amigalhaços. Bastava um pouco de criatividade, inteligência emocional e da tal compreensão da complexidade…

A geração dos seminaristas frustrados, dos teólogos sem transcendente e dos nostálgicos da revolução perdida, armados em galhofeiros do Estado de Direito e da democracia que, na juventude, combateram em nome do totalitarismo exótico, a que chamaram utopia, deveria ser substituída pelo verdadeiro saber, com os pés no chão e a engenharia dos sonhos!

JN, hoje: “O capital não tem pátria nem ideologia Não há nada de estranho na relação entre Portugal e a Venezuela. E uma questão de negócios”… “Neste momento, o capital não tem pátria nem ideologia. É o pragmatismo da política externa”. A visita de Hugo Chávez a Portugal é “incómoda”, mas “apenas por causa de alguns distúrbios do sistema democrático português” (JAM).

“Não conheço nenhum regime político que não tenha a sua visita de Chávez, Mobutu… Faz parte”. Assim, “o folclore de Chávez” justifica o interesse, mas há outras perguntas sobre questões “mais graves” que não se colocam. “Por que motivo ninguém pergunta acerca dos apoios da eleição de Portugal para o Conselho de Segurança? Ou sobre as relações de Mário Soares com Sadam Hussein?” (JN, hoje, JAM)

Um dos melhores internacionalistas vividos da minha geração, o eurodeputado Mário David, assinalava a verdade de apenas sermos 2% da demografia europeia. Concordo! Não passamos de um pequeno reino medieval quase há nove séculos. O mistério é termos semeado a língua mais falada no hemisfério sul, quando não éramos o por…