Farpas

O ciclo baga preta do regime (“blackberry”) fica para a história como uma bela fotografia
do álbum de um financeiro bonacheirão, ex-presidente de uma firma de adubos, de capital
estrangeiro, que escapava ao controlo dos herdeiros de Alfredo da Silva. Alberto João está
ufano. Não quis ficar em qualquer fotografia de fim de festa.

O bastardo de Merkl, que apenas serviu de barriguinha de aluguer, mas com paternidade ainda
por confirmar, está rosado de sebastiânicas saudações dos bonzos e instalados e agradecido
à eficácia da cesariana, porque o forceps, com que os credores ameaçaram, está prometido
para a próxima apendicite, provocada pela baga negra…

 

Bela captação da postura metafísica da madrasta da Europa, porque não há vida para além do
défice, só barrosais, sarcoisas, berlesconices, sapateiros, camarões e sousas, nos passos
da senhora… E me dói saber que o reino lusitano já não é cabeça da coisa toda. Nem sequer
já tem a dita, mesmo sem alta velocidade

Bismarck fez o Segundo Reich com muita mesa do orçamento, dos que estavam sentados na
dieta. A nova unificada, que nada tem a ver com o diabólico do Terceiro Reich, repete o
método através de uma eurocracia que perdeu o sonho e pensa que o futuro tem a ver com a
velha tecnocracia missionária que vai meter nas regras a selvajaria dos primitivos actuais.
Esquece-se da explosão dos mansos…

Napoleão quando pôs a pata em Portugal e depois em Espanha demorou a compreender 1808, a
que chamámos Restauração, numa cena que foi acompanhada pela guerra de independência dos
nossos irmãos. Daí veio a promessa de Cádis que repetimos em 1820-1822, em nome da
regeneração. Por mim, continuarei a peregri

Os alcaides de Móstoles, em 2 de Maio de 1808 proclamaram: “La Patria esta en peligro.
Madrid perece víctima de la perfidia francesa. Españoles acudid a salvarla”. Por cá um
movimento paralelo, o da Restauração de 1808, desencadeado a partir de Olhão, deu sinal
para a expulsão de Napoleão, o tal que também parecia invencível e queria construir a
Europa a partir do respectivo imperialismo usurpador…

Vou reler José Acúrsio das Neves…para tentar compreender esse período complexo, entre
1806 e 1814, quando um colectivo libertador e peninsular gerou este paradoxo de o
reaccionário, aliado ao progressista, produzirem guerrilhas e constituições, com um povo
mobilizado por padres e maçons contra a abstracção imposta por alienígenas! Será que a
nossa Europa está novamente a cair nas teias do mesmo desviacionismo?

Infelizmente, muita da historiografia castelhana, como a que domina o Canal História,
continua a desconhecer como os portugueses se comportaram nesses anos. Deve ser remorso por
nos terem remetido a Carlota Joaquina!

Uma das principais lideranças da restauração de 1808 andou em volta do Conselho Conservador
que muitos persistem em não registar. E destacou-se particularmente um tal de José
Bonifácio de Andrade e Silva, antes de se fartar da Europa e de proclamar um novo reino no
d’além, face à impossibilidade do Reino Unido, que falta cumprir…

Dessas confusões ocupantes do imperialismo do Corso, acabou por restar o espinho da
ocupação dessa parcela do Alentejo de além-Guadiana, a que damos o saudoso nome de
Olivença. Vale-nos que nos vingámos no Brasil, furando, mais uma vez, as Tordesilhas!

Apesar de muitas incompreensões, o príncipe-regente, o futuro D. João VI, não se comportou
como os monarcas Carlos IV e Fernando VII, apesar de ter uma conjugal sombra a ter de o
acompanhar…

Desculpem, mas tudo resulta de um passeio meditado pela Gomes Freire e pelo Campo Santana,
olhando a nascente, para o Paço da Rainha, bem longe do Ramalhão! E depois de assistir a um
programa de ontem da espanholada do tal Canal História!

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