Mar 25

Contra a aritmética dos jogos de soma zero

Encerrado o ciclo de governos de minorias à espera de um milagroso acaso de política europeia que multiplicasse os pães da aritmética parlamentar, todos os discursos que repitam o silogismo da lógica anterior ao regresso da política como persuasão podem ser de personagens à procura de autor ou meros nomes que já não correspondem às coisas nomeadas. Estamos definitivamente condenados a formas de concertação política que partindo de divergências e convergências gerem a complexidade de uma emergência que não tem que ser procura do quantitativo da aritmética parlamentar, mas antes a uma geometria de regime e de restauração de confiança da comunidade no presente aparelho de poder. Daí que o PS volte a ser uma espécie de encruzilhada do actual sistema político, cabendo-lhe o desafio histórico de evitar que a governação, ou o vazio de poder político, possa fazer renascer a tentação do curto-circuito populista, pelo excesso de principado ou pela cobardia dos marechais. Basta acalmarem as paixões que nos podem fazer regressar a Costa Cabral e a João Franco. O Largo do Rato não é a Ilha de Elba, nem Waterloo pode ser a síntese dos que apenas pensam em termos de amigos e inimigos. Basta a humildade do arrependimento, mesmo sem confissão pública.

Mar 25

A falácia de Merkel

Ficou patente que Passos Coelho não dispõe de suficientes aliados nos aparelhos de comunicação política, dado que nem os “gurus” de Manuela Ferreira Leite fizeram tréguas quando a antiga líder foi elevada a porta-voz da actual liderança do PSD. A única esperança da equipa de Relvas é assumir que o que é demais abusa e invocar a teoria conspirativa do canto do cisne…

De qualquer maneira, importa reconhecer as altas qualidades de resistência táctica do socratismo que soube fazer, das fraquezas, forças, marcando a agenda da imagem, antes da sondagem de hoje e daquilo que costumam ser as sacanagens das sucessivas campanhas eleitorais, num combalido modelo de sistema-partido que agora atingiu as raias do próprio Estado-Partido

Um acordo de regime em Portugal é politicamente mais fácil do que o quadro de alianças de uma cimeira da Europa. Porque o problema português não é de política. É simplesmente de conquista do poder à custa dos impostos dos portugueses que somos. É preciso que a comunidade, ou república, reduza o aparelho de poder e os funis partidocráticos às suas funções. Nós é que devíamos estar por cima.

Sócrates está impaciente para regressar a Lisboa e zurzir no PSD. E Merkel acaba de acrescentar uma lição para a oposição: não basta concordarem com o meu objectivo! Tem de subscrever o meu método, conforme Sócrates. Isto é, acabou a linguagem diplomática: torçam, caso não queiram quebrar!

“Heróis de 1640, oh!, se surgísseis das vossas campas, e vísseis o que nós vemos. Segunda vez de pejo morreríeis!” (Espectro)

Ângela Merkel anuncia que vai visitar Portugal no começo da próxima semana. Começam já a movimentar-se importantes sectores da sociedade civil que esperam uma esmagadora manifestação de apoio que possa saudar a grandeza desta salvadora da Europa! O movimento ainda não tem nome, mas consta que, inspirado no carocha, será qualquer coisa como “Volksfrau”.

A falácia de Merkel: ela disse que pouco importava a cor política do primeiro-ministro. Tem razão. Não reparou é que o primeiro-ministro em causa não tinha poderes para comprometer o país numa conversa bilateral com ela. E o acordo de Berlim não supre a falta de acordo do nosso parlamento. Até por cá há uma coisa chamada presidente, eleito por sufrágio universal e directo. Coisa que não há na Alemanha.

Os donos deste mundo podem estar a utilizar-nos como vacina, mais uma vez. Basta ler o artigo que anexamos e topar as tensões da coligação negativa monetária de Pequim e Washington, contra um euro sem adequada governação económica.

Mar 25

Depoimento ao jornal Público

“Está em risco o país…Presidente tem de reagir como última fonte de refrescamento da legitimidade, usando a posição “suprapartidária” para um “regresso a uma espécie de pacto entre a sociedade civil e os partidos”, porque não chegam coligações, impondo-se uma concertação até com forças morais (JAM, Público, p. 6)