Manifestação dos indignados

Já não chega a mera invocação da razão de Estado, sem acompanhamento parlamentar e com ostensivo desprezo da presidência. Os patrióticos fins não podem justificar todos os meios. Correm o risco de ficar no inferno das boas intenções. Por enquanto, apenas uma federação de minorias em coligação negativa, à procura da liberdade. Amanhã, poderá revolta. O poder cria-se. É sempre a união do órgão e da função. Não é esse órgão sem função, o da governação em pilotagem automática, nem essa função sem órgão, o da manifestação, ainda sem voz tribunícia. Os futuros protagonistas serão os políticos da democracia representativa que navegarem as circunstâncias através da palavra que se cumpra em confiança pública, contra o império sem rosto que nos oprime. A governação não existe como abstracção que nem é constitucionalmente prevista. Não passa de entidade representativa, a que está presente em vez dos outros que somos nós. Por enquanto não são deuses nem tiranos. São pastores, mas carneiros como todos os outros carneiros do rebanho dos cidadãos, como diria Platão. Há manifestações que constituem uma inorgânica federacao de minorias em procura de liberdade… Quem estica a corda em demasia, pode chegar a casa e reparar que ela quebrou pelo lado mais fraco. Tudo depende da qualidade da democracia. Se esta ainda resistir.

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