Abr 04

Os habituais filósofos da traição

Quem, sendo político, tendo ocupado e ocupando lugares políticos, diz que a culpa é dos políticos, toma, desde logo, uma posição política: serve os que, estando no poder, os nomearam. Outros há que, continuando a procurar a quem servir, apenas traem os que os nomearam. Ambos, não contem com o meu respeito. Gosto muito mais de adversários onde nunca deve haver inimigos.

Por estes dias, quem quiser ser “adesivo” ou “viracasaca” tem lugar assegurado em qualquer primeira página de jornal ou a servir de abertura a telejornal. Aconselho os habituais candidatos a moderação no impulso. Na maior parte dos casos, usam-se e deitam-se fora. Não passam de adereço descartável e nem sequer são aconselháveis para a função.

Os habituais filósofos da traição que costumam emoldurar as comissões de honra de qualquer acto de conquista do poder lá vão fazendo discursos de fazer chorar as pedras da calçada. Sugiro que se faça uma adequada antologia de tais vergonhas naturais, com adequadas notas de cunhas e prebendas com que eles foram dando e recebendo de todos os nossos governos que agoram qualificam como desgovernos…

Presidente mandou que tudo se fizesse pela positiva. Os principais não seguem o conselho. Os secundários dizem que seguem e também aconselham. Vista a coisa de fora, parecemos uns primitivos actuais, copiando o Porto de Pinto da Costa e o Benfica de Vieira, sem árbitros que condicionem as caneladas verbais.