Abr 06

Hoje é o fim do Sócrates II

Esta polémica está a colocar em risco o normal funcionamento das instituições e sugere que se sigam os ex-presidentes da República, que têm tido “uma voz superior a estes partidarismos e a este facciosismo”. Estamos a pisar as raias do funcionamento regular das instituições e a pisá-las, sobretudo, num órgão que devia dar o exemplo”. Citando A. Santos, “isto não pode ser um manicómio em auto-gestão” (JAM).

Do Bloco ao Bloqueio: “Nunca houve tantos candidatos a secretário-geral do PS como desta vez: foram quatro e normalmente era um só…Se não quiserem fazer coligações com o PS por ser liderado por José Sócrates, quem bloqueará o país será a oposição. Quem bloquear assumirá as responsabilidades”

Finalmente, falou o socialista francês, director do FMI e eventual candidato à presidência em Paris, contra a direita. O camarada de Sócrates é claro: “o problema não é tanto a dívida pública como o de financiamento de bancos e a dívida privada, o que o tornam um caso completamente diferente da Grécia”. Os salgados que não nos dêem lições, ao povo, e as PPPs que se amanhem…

Votarei no político que venha ao espaço público declarar: o problema português não é o do esquerdismo ou direitismo, mas dos clássicos burlões cuja lábia nos continua a intrujar! Nem sequer são mafiosos, porque lhes basta a actualização do conto do vigário… Logo, investiguem-me! Aquele que apanhar na minha vida uma só cedência à roubalheira, fique certo que imediatamente me demitirei!

O problema político está na desconstrução da linguagem teológica sobre a unidade na diversidade, entre a santíssima trindade laica e a ira divina da ajuda externa que é coisa bem mais prosaica sobre o paga o que deves ao ritmo de “ultimatum” já sem “heróis do mar”…

Como disse ontem Carrilho, propaganda hoje é contar-se uma história simples, fingindo que a realidade é ficção e levá-la até à exaustão, com um herói e um vilão, a salvação e o inferno. Digo eu: vivemos em messianismo de telenovela e o povo pode não querer ser autor e continuar como simples auditor. Por mim, prefiro desconstruir, para que venha a verdade em cada um.

Depois dos banqueiros, parece que chegou a vez de Merkel… Será que querem mesmo procurar novos feitores?

Dizem que a telenovela vai dar os últimos episódios da chamada “Espírito Indomável”. Parece que agora o vilão já está definitivamente em fuga. Mas pode haver reviravoltas. Vou ver que amanhã é só futebol, com a assistência financeira dos que vão agora pedir assistência financeira.

Sócrates cumpre sempre aquilo que diz: «Eu não estou disponível, da minha parte, para governar com o FMI». A 20 de Março de 2011. Eu não lhe li os lábios. Confirmo a lábia.

Hoje é o fim do Sócrates II. Mas já houve um Sócrates I e é do povo que depende haver um novo heterónimo, tipo Sócrates III, embora ele possa voltar mesmo com outro nome e com outro partido. Preferia vida nova.