Abr 10

Acabou a festa, pá!

Na procissão do senhor, em Matosinhos, foi tudo música celestial. Agora é ” PS mais o FMI”, há menos de uma semana, o “eu não estou disponível para governar com o FMI”.
Ninguém quis ver, ouvir ou ler que, em menos de meio século, fomos, mais uma vez, arrastados, como na guerra e na descolonização, de metrópole e “bom aluno”, a um Portugal-Colónia a pedir que nos ordenem de fora.
Enquanto isto, 47 notáveis dos sucessivos situacionismos manifestavam-se numa espécie de golpe do abaixo-assinado, com Cavaco a tentar exportar a imaginação dos tapetes de Arraiolos para Budapeste.
Mas o comissário do vazio de Europa, Olli Rehn, utilizou, com toda a previsibilidade, a brutal linguagem do ultimatum. Afinal, os catastrofistas e profetas da desgraça eram bem mais suaves do que os cortes a que fomos condenados, piores que os da ditadura das Finanças de 1928.
Por outras palavras, acabou o federalismo sem dor e os palermas da vacina serão apenas súbditos de uma unilateral governação económica da Europa. Acabou a festa, pá! A agit-prop já inventou outra história, alterando o vilão e o enredo.

Abr 10

Do Congresso do PS à candidatura de Fernando Nobre

É por isso que gostei do discurso da Ana Gomes no Congresso de Matosinhos. Posso discordar da respectiva concepção do mundo e da vida e das conclusões que encerra, mas sempre com o coração, mesmo o meu que está preso pela recauchutagem (dis+cordis, onde cordis é coração). São precisos radicais ao centro.

Centro excêntrico é admitir que para haver uma emergência, temos de partir das actuais divergências e convergências para um novo estádio de complexidade crescente e de manutenção da liberdade, com evoluções dentro das posteriores convergências e divergências. O que é preciso é mudar de vida e arriscar, rejeitando os bonzos, os endireitas e os canhotos do vira o disco e toca o mesmo.

O grande erro de todo este sublime espectáculo de propaganda com que durante dois dias fomos bombardeados, entre entradas triunfais, videos delicodoces e hinos de telenovela, está na primeira regra da propaganda: a boa propaganda não pode parecer propaganda. Gasta-se pelo uso e prostitui-se pelo abuso.

Quando há uma enorme distância entre aquilo que se proclama e aquilo que se pratica, a falta de autenticidade pode agravar-se a atingir o clímax da própria burla, quando se finge tão completamente que o próprio fingidor já finge que é a verdade a própria mentira que o mobiliza. Torna-se num clássico da velha ciência policial…

Todo este fundo sabe a enlatado de música de grandes filmes, entre o épico e o romântico. Fica bastante próximo dos anúncios com que a banca portuguesa de negócios nos enredava, na véspera de todos conhecermos a vigarice. Basta o velho gesto do Zé Povinho, o ídolo exposto de qualquer merceeiro: “se queres fiado, toma!”.

“A nossa agenda não é uma caixinha de surpresas”. Pois, não! Está na bagagem de quem vai desembarcar na terça-feira…

“Portugal foi arrastado para uma crise política e sabemos quem provocou essa crise, foram todos os partidos da oposição”. Toma!

“Provocaram essa crise por ambição do poder a qualquer custo”. Malandros! Querem o que eu tenho!

“O país foi arrastado para a ajuda externa”. Vocês, malandros, não podem fugir às responsabilidades! A crise era evitável se me passassem um cheque em branco!

O país do chico esperto e do analfabeto educado, exulta!

“Elevação política e sentido de estado”. Basta estar no palanque!

Garantir o essencial, só comigo! Eu sou o seguro, eu sou o Estado! Tenham medo das oposições!

Eu sou a fonte do conhecimento e da inovação! Conto com o vosso ânimo e a vossa determinação. Até com os jovens! O domínio do inglês e o controlo dos computadores!

E as mulheres, as mulheres portuguesas, a causa da igualdade e o aborto e o casamento de homossexuais e o combate à violência doméstica! Os objectivo central do nosso próximo governo! E o complemento solidário para idosos! Sim os velhinhos, os aposentados e os mortos que ainda votam!

E saúdo também os emigrantes. Os que residem e os que não residem em Portugal!

O país só vai vencer se eu vencer! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo! Golo!

A oposição pode ter feito cair o governo , mas fez levantar o PS e vai fazer levantar o país. Contem comigo que eu conto contigo! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Viva! Depois, os foguetes enlatados da musiqueta. Com direitos pagos à Sociedade de Autores….

É a fome, devem querer ir almoçar. Nem sequer ficaram para o hino nacional (comentário dos comentadores aos velhinhos que corriam para o autocarro, abandonando a sala).

A primeira e devida resposta ao situacionismo. Fernando Nobre é o cabeça de lista de Passos Coelho em Lisboa. E o candidato do PSD a segunda figura de Estado. Confirmado. Até por mim. Desde segunda-feira passada. Sem fuga de informação. O que é bom sinal.

Caras amigas e amigos,

Tenho a Honra de anunciar que recebi há momentos a confirmação do Dr. Fernando Nobre de que aceita o convite que lhe dirigi para ser, na próxima legislatura, o candidato do PSD a Presidente da Assembleia da República….

Uma hora de resposta de Pedro Passos Coelho. Ou o inesperado do tempo de antena. Bem-educado pode ser duro. Os dados estão lançados. Para nos recentrarmos não parece haver meio-termo. A primeira resposta já foi dada. Aguarda-se a de Portas, do PCP e do Bloco. Afinal, a campanha vai ser diferente.

Lá se foi um dia de vertigem, onde os factos políticos que escaparam ao controlo dos criadores de factos e aos autores dos guiões do “agenda setting”. Basta até notar como o golpe de abaixo-assinado dos 47 acabou por não poder ser devidamente usado por quem o pretendia manipular instrumentalmente, o PS, onde não é simples acaso a coincidência com a maioria dos notáveis coordenadores.