Abr 11

Amanhã chega a Lisboa a “troika”

Amanhã chega a Lisboa a “troika” da Comissão Europeia, BCE, FMI. Antes de tratarem do nosso futuro no silêncio dos gabinetes, passarão pela estátua de Camões, ao Chiado. Desta feita, ela não está coberta de crepes negros. E não renasceu a revolta que levou a fundarmos “A Portuguesa”. Discutimos as árvores, não compreendemos a floresta.

Não sou pela táctica do quanto pior, melhor. As minhas condições de saúde não me permitem ir à luta em todo o terreno. Mas louvo todos aqueles que podem, querem e acreditam, disponibilizando-se para a militância. Incluindo os que, de dentro, ou de fora, pretendem regenerar a partidocracia. Mas não consigo ter a serena análise dos partidocratas sobre a respectiva partidocracia. Estou além.

Sou capaz de arriscar uma previsão: das próximas eleições vai sair um governo de pacto entre os três partidos que integram as duas principais multinacionais partidárias da Europa (CDS, PS e PSD). Mesmo que o partido do actual governo não vença as eleições. Mesmo que, somando os outros dois, não seja alcançada uma maioria absoluta de aritmética parlamentar.

As próximas eleições estão totalmente condicionadas pelo programa de governo que nos vai ser imposto pelos credores. A nossa independência vai voltar a ser gestão de dependências. Mas temos de voltar a ter vontade de sermos independentes. Temos de submeter-nos para sobreviver. Devemos lutar para continuarmos a viver em autonomia política.

“Há uma cousa em que supponho que ate os meus mais entranhaveis inimigos me fazem justiça; e é que não costumo calar nem attenuar as proprias opiniões onde e quando, por dever moral ou juridico, tenho de manifestá-las”…. (Alexandre Herculano).