Abr 18

Das listas de deputados

Afinal os partidos que apoiavam o governo da Finlândia não eram da extrema-direita. E até apoiavam o governo socialista português. Quem estava contra a ajuda era mesmo o extrema-direita que subiu muito e o partido-irmão dos socialistas portugueses que ficou em segundo. Mesmo velhos camaradas deveriam ter a humildade de ver as coisas como elas são, caso do Dr. Soares que aqui denunciei, em tempo real.

Convém notarmos que, em certa Mitteleuropa e por entre os nórdicos, está a surgir um nacional-sindicalismo xenófobo, dito de esquerda, conforme as belas tradições anti-semitas que marcaram personalidades como Karl Marx, Louis Blanc, Proudhon e Blanqui e alguns dos partidos de massas socialistas. A intolerância e o etnocentrismo afectam todas as famílias políticas.

Convém repararmos que um dos partidos mais da extrema-esquerda da Europa ocidental, os etarras, assenta numa concepção ultra-racista de nação, de mero cariz zoológico, sendo o principal embaraço à paz nesta nossa Península. Foi dessa mistura de racismo e socialismo que nasceu Adolfo Hitler. Até os sociais-democratas suecos, nos anos trinta, caíram nas teias da doença.

Dedilhando a lista dos candidatos em lugares elegíveis, confirmo que tenho lá uma turma de cerca de vinte e cinco ex-alunos, alguns deles bem queridos, de comunistas a direitistas. A única coisa que lhes ensinei é que eles aprendessem sempre. E desejo que com eles eu próprio possa aprender. Temos de continuar a fazer corrente. Estou mesmo condenado a não poder tomar partido, cá por dentro.

Já lá vão uns anos, talvez quatro, que me demiti do último cargo académico que exerci. E na carta ao Reitor, enumerava um caso de atropelamento da meritocracia, com nome e tudo. Fiquei a saber que esse caso acaba de dar entrada por concurso público num dos principais centros universitários do mundo. Aqui sofremos muito de miopia, sobretudo os universitários da politiqueirice e os políticos do negócio universitário.

Agências de “rating” ameaçam baixar a classificação dos próprios Estados Unidos. Logo se segue uma espécie de pequeno “crash” nas bolsas europeias, incluindo na de Lisboa. Malhas que a geofinança tece, neste confronto mundial de moedas que nos vai tramando.

Quando ouço algumas vozes partidárias dizerem que uma delas vai vencer as eleições fico em revolta, contra esta perspectiva de jogo de soma zero, onde o que um ganha perde o outro. Neste caso, perdemos todos, se a política não voltar a ser um mobilizador para o jogo de soma variável, onde, da competição, devem ganhar todos.

Quando vou sendo informado das negociatas de almoçarada com que os mandarins vão lançando pontes para a continuidade do bloqueio do centrão alargado, apenas prometo que não cederei a tal neofeudalismo dos conservadores do que está. Pior do que Sócrates são os socratinhos, mesmo que no Cavaquistão tenham sido cavaquinhos!

A velha rede das castas dos mandarins, onde ainda prosperam salazarentos e marceleiros, continua a tratar muitos politiquinhos como simples feitores e capatazes. Se o abuso preponderar, não julguem alguns que lhes passarei um cheque em branco, em nome da velha tese, segundo a qual o inimigo do inimigo comum é meu amigo.

Freitas do Amaral adora Sócrates 1, mas detesta Sócrates 2, continuando a preferir Teixeira 3 a dos Santos 4. Detesto esta mistura de literatura de justificação com construção do epitáfio. O ex-presidente da União Europeia das Democracias Cristãs é o pretérito em música celestial. Não aquenta nem arrefenta, sobretudo em dia de trovoada.

João Soares é um tipo porreiro. Lá disse que a extrema-direita finlandesa estava contra a ajuda a Portugal, sem dizer que os socialistas, seus camaradas, também estavam na mesma. Infelizmente não disse a verdade sobre os liberais (ditos centristas) e os chamados conservadores (ditos da coligação nacional) de Helsínquia, sempre confundidos com os “verdadeiros finlandeses”.

Carlos Abreu Amorim, segundo João Soares é de extrema-direita. Será por ter sido do CDS? Por se assumir como dissidente do PND, quase ao mesmo tempo que outros que foram para o PS? Por se dizer liberal ou regionalista? Ou simplesmente por ser dragão? Meu amigo João, convém não brincarmos com coisas sérias, roçando o insulto. Ainda hei-de ver os dois votando em conjunto, lá por São Bento.

O Presidente da República disse hoje estar a acompanhar a situação portuguesa depois do pedido de ajuda externa, mas escusou-se a fazer comentários, alegando que há alturas em que “o protagonismo mediático é contra a defesa do interesse nacional”. “Eu sei muito bem quando é que devo falar em público… (Leiam o Facebok).

Abr 18

Finlandeses

Afinal os partidos que apoiavam o governo da Finlândia não eram da extrema-direita. E até apoiavam o governo socialista português. Quem estava contra a ajuda era mesmo o extrema-direita que subiu muito e o partido-irmão dos socialistas portugueses que ficou em segundo. Mesmo velhos camaradas deveriam ter a humildade de ver as coisas como elas são, caso do Dr. Soares que aqui denunciei, em tempo real.

Convém notarmos que, em certa Mitteleuropa e por entre os nórdicos, está a surgir um nacional-sindicalismo xenófobo, dito de esquerda, conforme as belas tradições anti-semitas que marcaram personalidades como Karl Marx, Louis Blanc, Proudhon e Blanqui e alguns dos partidos de massas socialistas. A intolerância e o etnocentrismo afectam todas as famílias políticas.

Abr 18

Do mal, o menos. Vida nova, precisa-se!

Os fraccionários da cidade, os que nem sequer têm dimensão de dissidentes, voltaram a ser os velhos censores da república romana. Não dos que fixam a lista dos cidadãos, mas dos que estabelecem a lista parlamentar da classe política, distrito a distrito, onde metem meia dúzia de independentes, as cerejas que encimam o bolo do costume. Ontem não foi domingo de ramos, foi domingo de listas! O problema é que não podemos chegar ao todo directamente, em encontros imediatos de um só ou da parcela que o apoia com a divindade da república. Cada um e cada parte só vê o todo do seu lugar, da sua perspectiva. Daí que o essencial sejam os lugares comuns, através dos quais podemos dialogar. A multiplicidade pode levar ao uno e é da concórdia dos cânones discordantes que pode nascer a harmonia. Importa, pois, eliminar a atracção absolutista e centralista nas actuais fracções. O que está em baixo é o que vai, depois, reproduzir-se em cima. Logo, o pior não está no dogma, mas antes no temperamento dogmático. Por outras palavras, o poder não está no parlamento nem nos deputados. Está nos directórios partidários que o definem e os escolhem. Lenine chamava à coisa centralismo partidário. Coisa equivalente ao modelo weberiano da era pré-racionalismo normativo. Os fiéis continuam a ter o primado sobre os competentes. É a chamada legitimidade feudal, face aos fragmentários chefes de bandos.