Abr 27

Pavões

Ontem, em entrevista a partir de uma São Bento da porta aberta, entraram por nossas casas dentro os bucólicos sons dos pavões dos jardins onde Cavaco construiu uma piscina e a Dona Maria do Ti António de Santa Comba tinha galinheiros. Nem ouvi o Sócrates como devia ouvir nestas cenas de Corte na Aldeia…

Sócrates apresenta programa dito de governo. Continua a ser oposição à oposição, principalmente ao PSD. Diz que agora vai fazer o que nem sequer tentou nos seis anos anteriores, como na reforma da justiça e no regresso à bandeira da reforma do sistema político. Isto é, naquilo em que é preciso acordo com a oposição vilipendiada.

Assis ficou irritado por tê-lo qualificado como situacionista. Logo corrigi: aprendeu com Cavaco na versão de Pacheco Pereira, é oposição à oposição, como nesse mesmo dia tinha manifestado quando acusou o PSD de Passos de querer destruir o Estado Social…

 

Também disse que não me lembro de ter votado em qualquer dos dois grandes partidos, insinuando que também nenhum deles até agora me seduziu para o voto de 5 de Junho. Porque o teatro que vão exibindo esconderá o acordo clandestino que irão fazer, mesmo que seja com Sócrates ou Pedro.

Dos quatro do Pátio dos Bichos, nenhum deles fez coligação pré-eleitoral enquanto líderes políticos no activo. Cavaco até nasceu para a liderança rompendo o acordo que unia PS e PSD. Soares só pós-eleitoralmente com o CDS e o PSD. Eanes, nada, porque antes de ser presidente não foi líder partidário nem chefe de governo. E Sampaio, em matéria de acordos pré-eleitorais, só com o PCP e para a autarquia de Lisboa.

Presidente e past-presidentes são como o Frei Tomás, do bem prega mas não faz. E PS e PSD proclamam exactamente o contrário do que vão fazer. Subscreverão a grande coligação com o FMI, o FEEF e o BCE e chamarão à coisa patriótico acordo no desacaordo.

Sócrates apresenta programa dito de governo. Continua a ser oposição à oposição, principalmente ao PSD. Diz que agora vai fazer o que nem sequer tentou nos seis anos anteriores, como na reforma da justiça e no regresso à bandeira da reforma do sistema político. Isto é, naquilo em que é preciso acordo com a oposição vilipendiada.