Depoimento à Lusa

“Se correr mal talvez seja a última vez em que vamos ser chamados a participar numa decisão eleitoral porque o sistema a que pertencemos e de que somos parcela não mais vai acreditar em nós se não tivermos uma atitude diversa daquilo que são as consequências ontem anunciadas” (JAM, Lusa, hoje)

“O próximo governo pode ser o coveiro do regime. Acho que tem que haver uma mentalidade de governo provisório ou de governo refundador da democracia…” (JAM Lusa)

“E o que eu gostava era que partissem para este debate com uma espécie de acordo no desacordo. É um pouco inadmissível que num momento tão dramático como este não haja uma espécie de pacto entre a sociedade civil e os partidos”, porque a democracia portuguesa “corre um risco de descredibilização”. (cont.)

Nos próximos dois meses os principais partidos “vão gastar muitas energias na teoria do passa culpas”. Eles “estão a viver as últimas cenas de uma partidocracia fechada à sociedade civil”.

“Isto é, ir além da mera aritmética parlamentar da partidocracia e assumir uma geometria social de apoio com sindicatos e forças morais das igrejas às maçonarias e com um claro empenhamento dos orgãos eleitos, nomeadamente pelo PR, que deve deixar de ser um simples notário do regime ou até fingir-se Pilatos lavando as mãos com as sucessivas inconfidências dos seus conselheiros de estado, ou seja pô-los na ordem.”

Ainda não li o registo do que disse, mas transcrevo: “Acho que deviamos ter uma vida nova. Mudar o sistema para refundar o regime. Não para os pretensos governos de salvação nacional, sugeridos por banqueiros e donos de supermercados, mas pelo regresso a formas parecidas com o consenso que houve nos governos provisórios.”

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