Farpas de troika

O fim da era dos governos minoritários também deve ser o fim do ciclo dos governos monopartidários. Mas pode não ser o fim do rotativismo. E muito menos do devorismo. Pode até nem ser efectiva mudança. Por isso é que as escolhas eleitorais devem traduzir-se numa espécie de golpe de Estado sem efusão de sangue.

No processo de “agenda setting” de hoje, na véspera da chegada de mais um dos submarinos a Portugal, Paulo Portas assume a candidatura a Primeiro-Ministro, no habitual teatro de estadão das candidaturas a deputados. Mais um normal anormal das pré-campanhas eleitorais.

Com Sócrates a inaugurar a estação de tratamento de esgotos que promete tirar mau cheiro à capital e Teixeira dos Santos já esquecido da proposta que fez para Cavaco negociar com a “troika”, continua a troca de cartas entre Catroga e o governo, com o PSD a prometer dançar o tango directamente com os representantes dos credores. Encenações continuam…

Governar deveria ser executar um programa, numa espécie de pilotagem do futuro, equivalente à condução de um navio, para o cumprimento de uma rota e medição da viagem realizada (cont.)Aqui e agora, como diria Ortega y Gasset, “ser da esquerda é, como ser da direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser imbecil: ambas, com efeito, são formas da hemiplegia moral” (depoimento que prestei ao DE de hoje sobre programa de governo do PS).

Garanto aos meus amigos que continuo desiludido com a esquerda desta direita e a direita desta esquerda (isto é, os três partidos que têm um enganador “S” na própria sigla). Não me apetece comprar bilhetes para a segunda parte deste mau bailado, para azar do dia.

Hoje vou fazer greve de cidadania, depois de ter andado a submeter-me à declaração electrónica do IRS, num ano horrível que não quero recordar. Foi um terror ter que fotografar 2010 para o fisco. Não me deixaram declarar os pedaços de vida que perdi. O Estado está acima do cidadão, mas o homem está acima do Estado. Boa tarde a todos!

 

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