O mal de Portugal não são os Portugueses

Um português é presidente da Comissão Europeia. Já foi primeiro-ministro. Outro, é vice-presidente do BCE, já foi governador do Banco de Portugal. O primeiro é do PPE/PSD. O Outro do PS. Ambos ex-grandes líderes. E o actual dono do FMI na Europa, de quem parte dos negociadores são subordinados, já foi vice-presidente do PSD. Os três foram nossos partidocratas. Menos bons aqui, bem melhores lá fora.

Cavaco, Sócrates e Passos Coelho têm tido, inevitavelmente, contactos com Barroso, Constâncio e o homem do FMI para a Europa, Borges. Estas coisas estão bem mais oleadas do que aquilo que parece. Todos eles já podem antever aquilo que vai ocorrer. Todos são farinha do mesmo saco.

O mal de Portugal não são os Portugueses, mas o que não nos deixam ser portugueses à solta… Inventaram regras, plenas de vírgulas, que começam por não serem cumpridas por aqueles que as fazem. Inventaram aparelhos de vigilância para regras que não são réguas, em nome da empregomania. Inventaram litigâncias para que os litigantes gastem a palavra pelo mau uso e a prostituam pelo abuso.
Quando D. João VI regressou a Lisboa, por pressão das Cortes, foi recebido com uma grande manifestação que dava sucessivos vivas ao povo soberano. O bom rei, esfomeado, mesmo em manif, dava gosto ao vício, de papar coxas de galináceo jovem. E lá terá dito: “eles são soberanos, mas eu é que trinco o frango”. Foi o que me ocorreu, quando ouvi o apelo de Barroso ao sentido de responsabilidade.

Uma sugestão às oposições: podem fazer uma coligação negativa como em 1895, não ir às urnas e fazer do palácio de São Bento novo “solar dos barrigas”. Há sempre esta bomba atómica, mais eficaz que a dissolução belenense. O FMI, o BCE e a CE logo nos internariam num comício matosinhense, com sucessivos apoios acima dos 90%. E as finanças poderiam continuar com contas sem ser à moda do Porto, com Renato Sampaio.

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