Passos contra Portas

Portas contra Passos foi mais animado que Jerónimo contra Louçã. Apesar do domínio de bola da retórica de Paulo, na primeira parte, o excesso de demagogia acabou nos últimos minutos por voltar o feitiço contra o feiticeiro, propondo reformas que só com o acordo do PS podem ser levadas a cabo.

 

Portas usou de tricas e de truques, não fez o jogo da convergência, repetindo subliminarmente os argumentos da centra de propaganda do PS contra Passos que é tipo de muita paciência… mesmo vendo no adversário à direita, jogadas de extrema-esquerda e do centro. De direita, só mesmo o aumento do número de polícias!

 

Nenhum falou em pobreza, corrupção, cidadania ou democracia. São coisas de somenos para os candidatos à ministerialidade.

 

Portas conseguiu colocar Passos numa situação onde até pareceu que foi este a governar o país nos últimos seis anos! Até o reduziu a muleta de Sócrates…

 

Portas também foi ultraliberal quando apresentou um programa pluri-anual de rescisões por mútuo acordo na função pública, mas “com indemnizações atractivas”. Acabou de inventar o neoliberalismo da atracção!

 

Portas é a imaginação sem memória… Ainda me lembro da última proposta que ele fez no debate da reforma eleitoral promovido pelo ministro António Costa: aplicação do sistema eleitoral francês a duas voltas…por acaso foi à minha frente e numa universidade onde ele era director do respectivo centro de sondagens

 

Passos continua empaturrado em TSU. Felizmente, na política, não existe apenas aquilo que pode medir-se

 

Há uma única ideia de Portas que subscrevo. Não extingam municípios nem freguesias, extingam apenas juntas e órgãos municipais…

 

Por outras palavras, Portas quase se colocou numa posição de não poder ser parceiro de governo do PSD, a não ser que este tenha muita prudência e paciência, para não dizer coisa de que se arrependa…

 

Catroga diz que foi de férias, que pena! Os meus colegas do comentário, na sua maioria, e os jornalistas políticos, quase todos, são consensuais quanto à genialidade de Portas. Prefiro continuar a estar em minoria, nesta ronda elogiosa para a direita que convém à esquerda e que continua a ser um dos pilares essenciais do situacionismo.

 

Ambos são dois parceiros da mesma multinacional partidária da Europa e dois dos três subscritores do sistema de resgate do protectorado dos credores, mas ambos tentaram fingir um “mix” feito de metáforas onde entram coxos e muletas.

 

Ou de como, mesmo com Catroga já em férias, se fingiu um “mix” em dois tempos, com sobremesa de Portas adiantada em claras de demagogia, mas com Passos a levar a melhor na digestão da verdade

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