Farpas de campanha

Os descendentes do Marquês de Pombal, de Fontes Pereira de Melo, de Afonso Costa, de Oliveira Salazar, de Mário Soares e de Cavaco Silva descobriram a causa do nosso desastre: as regiões e as autarquias. Querem o estadão capitaleiro, com os pés em lugar da cabeça!

O Boavista desceu de divisão há uns anos. Hoje a deliberação foi considerada como produto de uma reunião inexistente. Por outras palavras, a futebolítica é um excelente retrato prospectivo da nossa política. Haverá amanhã, depois de adequado recurso, sentença que vai declarar inexistentes os candidatos a feitores da troika, da banca e dos hipermercados. Se calhar até é verdade.

Os debates estão na estratosfera. Apenas dizem respeito a uma parte do país, a minha, a que se interessa e se procura informar sobre as questões de política doméstica. A maioria sociológica continua indiferente e não tem sido mobilizada. E grande parte dela, mesmo se for votar, mover-se-á apenas por simpatia pessoal, dentro da bipolarização artificial em que os propagandistas nos enfiaram.

O país dos comentadores, dos politólogos e dos jornalistas informados destes meandros nada tem a ver com as grandes correntes de inércia que nos tornaram servos do estadão. A classe política continua a ser tão alienígena para o povão, como nós os “facebookeiros” somos…

Os conservadores e os socialistas finlandeses puseram-se de acordo quanto a Portugal. Afinal o chamado Partido da Coligação Nacional, que já fazia parte do anterior governo de Helsínquia não era bem aquilo que aqui diziam dele. Quem, felizmente mudou, foi o partido sócio da Internacional Socialista. Cuidado com o nevoeiro, ilustres analistas de política internacional que se enganam muito na caça às bruxas!

 

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